terça-feira, 11 de setembro de 2012

Ciência do Bem Viver, por Joanna de Angelis através de Divaldo Franco


Tranquilamente, confiante, avança, passo a passo, pelo caminho da evolução. Não busques, nem fujas dos fenômenos da existência física.
Intenta ser o controlador dos teus impulsos e sentimentos, de maneira que o insucesso não te infelicite nem o êxito te exalte.
Na paz interior descobrirás a libertação das dores, porque lograrás vencer as paixões.
Utilizando-te de uma consciência equânime, aceita as ocorrências positivas e negativas com a mesma naturalidade, sem sofreguidão nem indiferença.
Mantém-te interiormente livre em qualquer circunstância, adquirindo a ciência verdadeira do viver.
A ilusão fascina, mas se desvanece.
 A posse agrada, porém se transfere de mãos.
 O poder apaixona, entretanto, transita de pessoa.
 O prazer alegra, todavia é efêmero.
A glória terrestre exalta e desaparece.
O triunfador de hoje, passa, mais tarde, vencido...
A dor aflige, mas passa.
A carência aturde, porém um dia se preenche.
A debilidade orgânica deprime, todavia, liberta da paixão.
O silêncio que entristece, leva à meditação que felicita.
A submissão aflige, entretanto engrandece e enrija o caráter.
O fracasso espezinha, ao mesmo tempo ensina o homem a conquistar-se.
Todas as situações no mundo sensorial passam, mudam de posição e de forma.
A essência da realidade, porém, permanece sempre a mesma.
Nada é definitivo na aparência.
Apenas o que tem valor intrínseco é duradouro.
Quem, espontaneamente, se abstém dos sentidos e das exterioridades, sem mágoa nem frustração, encontrou a ciência de bem viver.

quarta-feira, 11 de julho de 2012

O alimento da luz de nossa alma





Não existem nesse planeta soluções fáceis ou definitivas, no entanto, somos sempre levados a acreditar que estamos prontos, que o trabalho já foi feito, que já é hora de descansar merecidamente, e é aí que reside nossa perdição. Temos apenas uma função: a de acender a luz de nossa alma para iluminar o entorno, porém, isso implica também e principalmente em manter essa chama acesa e forte, pois a qualquer mal passo ou distração, ela pode se enfraquecer e até se apagar.

O "mantede-vos vigilantes" que Cristo nos disse tinha esse condão: o de nos mostrar que nunca estamos prontos, nunca estamos despertos definitivamente ou libertos de nosso ego para sempre. É preciso manter a vigilância constante, a observação atenta a nossos pensamentos, sentimentos e ações. Caso contrário, nossa luz poderá se apagar e estaremos novamente imersos na escuridão do ego humano, sem que disso tenhamos a mínima noção.

Ficaremos nos debatendo, nadando em meio a confusões mentais e complicações emocionais, agora com um estranho peso, uma estranha imobilidade perante os problemas. Os sentimentos contraditórios se avolumarão, assim como os pensamentos conturbados, e já não seremos mais donos de nós mesmos, mas meros indivíduos perdidos entre problemas que nós mesmos criamos. E assim é que uma alma se apaga e se enfraquece, até que a força do espírito se faça novamente presente, nem que seja por instantes, nem que seja por um momento. Sendo sincera e profunda o sufuciente, logo a alma passa a mandar sinais psíquicos de que algo está errado no direcionamento da personalidade e surge em nós a instabilidade.

Passamos a ser palco de uma luta entre o que realmente SOMOS e o que ESTAMOS, e se não estivermos atentos e conscientes disso, o cansaço nos toma a força. O ego resiste, luta, quer fazer-se forte e manter-se no controle, e logo surgem as certezas humanas, as distrações e desculpas para que nos afastemos da redescoberta de nós mesmos.

Temos que nos redescobrir todos os dias, nos iluminar a cada instante, despertar nossa consciência a todo momento, pois ardiloso é nosso ego que nos enlaça nas opiniões, achismos e poderes humanos. Ser direcionado pelo ego, viver apenas a nossa atual personalidade no dia a dia é uma opção, porém é uma escolha que cobra um preço e um sacrifício, principalmente daqueles que em algum momento dessa ou de outras vidas já tocaram a sua essência divina: o ego nos cobra a paz mental, emocional e espiritual, e move-se na inquietude e na conturbação. O espírito permanecerá mandando os sinais que virão sempre manifestados nos sentimentos que não compreendemos.

Porém, não poderemos fugir da luta e do enfrentamento da nossa própria consciência. Em algum momento teremos que dar atenção a nós mesmos e àquilo que nossa consciência profunda quer nos dizer, e voltaremos a dar atenção às disciplinas de pacificação, de iluminação e a tudo aquilo que alimenta e fortacele a nossa alma, abrindo espaço em nossa personalidade para que o sagrado direcione nossos passos com sabadoria e paz.

Ao tocar novamente a nossa alma, perceberemos o tempo que perdemos com conjecturas inúteis, nos debatendo para solucionar problemas criados por nós mesmos e por nossa incapacidade de controlar nossos pensamentos e sentimentos e teremos de volta a PAZ que nos é própria. Assumiremos novamente a nossa responsabilidade existencial e a VIDA se fará em nós, para que manifestemos o sagrado em nossos passos, no dia a dia, com as pessoas a nossa volta, fazendo de nossa vida oração e poesia oferecidas ao divino. E teremos que seguir vigilantes, alimentando a chama mais uma vez acesa para que os ditames da vida material não a enfraqueça novamente. Nada é mais importante, nada é mais belo. E só...

quarta-feira, 13 de junho de 2012

Oposição ao Bem



Se de início uma ideia não parecer absurda, então não há esperança para ela. (Albert Einstein)


NA PÁGINA 196, DO LIVRO "JORNADA DOS ANJOS" - A ESPIRITUALIDADE SE DIRIGE A JAN HUSS, ALERTANDO-O, DA

SEGUINTE FORMA:



" - Estamos aqui hoje, Jan, para alertá-lo e prepará-lo. A situação poderá tornar-se mais difícil. Há imensa movimentação das trevas opondo-se ao trabalho do Mestre, que se realiza através de você.

- Eles sempre se opõe, não é verdade?

- Sim, até quando as leis divinas o permitirem.



(...) previno-te, porque é ao mundo inteiro que se trata de agitar e de transformar. Não creias que te seja suficiente publicar um livro, dois livros, dez livros, e ficares tranquilamente em tua casa; não, é preciso te mostrares no conflito; contra ti se açularão terríveis ódios, implacáveis inimigos tramarão a tua perda; estarás exposto à calúnia, à traição, mesmo daqueles que te parecerão mais dedicados; as tuas melhores instruções serão impugnadas e desnaturadas: sucumbirás mais de uma vez ao peso da fadiga; em uma palavra, é uma luta quase constante que terás de sustentar com o sacrifício do teu repouso, da tua tranquilidade, da tua saúde e mesmo da tua vida, porque tu não viverás muito tempo. (Espírito Verdade - O Que é o Espiritismo)



(...) dez anos e meio depois que esta comunicação me foi dada, e verifico que ela se realizou em todos os pontos, porque experimentei todas as vicissitudes que nela me foram anunciadas. Tenho sido alvo do ódio de implacáveis inimigos, da injúria, da calúnia, da inveja e do ciúme; têm sido publicados contra mim infames libelos; as minhas melhores instruções têm sido desnaturadas; tenho sido traído por aqueles em quem depositara confiança, e pago com a ingratidão por aqueles a quem tinha prestado serviços (...). (Allan Kardec - O Que é o Espiritismo)



A Falange Espírito Verdade nos diz no ESE - Cap. XXIV item 15, na lição, “Coragem da Fé,” que: “A coragem de manifestar opinião própria sempre foi estimada entre os homens, pois há mérito em enfrentar os perigos, as perseguições, as contradições, e até mesmo as simples ironias, aos quais se expõe, quase sempre, aquele que não teme proclamar abertamente as idéias que não são as de todos. Nisto, como em tudo, o mérito está na razão das circunstâncias e da importância do resultado”.



Lembra-nos ainda, na mesma obra citada, Capítulo XXIII item 12: “Toda idéia nova encontra forçosamente oposição, e não houve uma única que se estabelecesse sem lutas. Nestes casos, a resistência é proporcional à importância dos resultados previstos, pois, quanto maior for a idéia, tanto maior será o número de interesses ameaçados”.



E recomenda-nos, agora no Cap. VIII item 8: “Obedecei à grande lei do progresso que é a palavra da vossa geração. Infeliz do Espírito preguiçoso, daquele que fecha seu entendimento! Infeliz! Pois nós, que somos os guias da Humanidade em marcha, o atingiremos com o chicote e forçaremos sua vontade rebelde com a dupla ação do freio e da espora. Toda resistência orgulhosa deverá ceder, cedo ou tarde. Mas, bem-aventurados aqueles que são mansos, pois receberão com doçura os ensinamentos”.



“(...) apelo a todos os adversários de boa-fé e os desafio a dizer se se deram ao trabalho de estudar o que criticam; porque, em boa lógica, a crítica só tem valor quando o crítico conhece aquilo que critica. Zombar de uma coisa que não se conhece, que não se pesquisou com o critério do observador consciencioso, não é criticar, é dar provas de leviandade e dar uma pobre ideia de sua capacidade de julgamento (...)”. (Allan Kardec - O Livro dos Espíritos)

sábado, 2 de junho de 2012

Liberdade e espinhos

O Despertar Espiritual para alguns é como correr livremente por um campo verde. Deseja-se a sensação de liberdade, a comunhão com a natureza, a unidade. Só que a maior parte das pessoas desejam correr descalças e acabam por ferir a sola dos pés com os diversos espinhos que existem escondidos no chão, e passam assim a rejeitar a idéia anterior passando a vê-la como tolice ou utopia. Essa pessoa não percebe que a responsabilidade era sua de se proteger, se equipar com os instrumentos que lhe poupariam os ferimentos. Um bom calçado, por exemplo, protegeria os pés de forma que os espinhos passariam despercebidos.

Os espinhos ainda estariam ali, mas não causariam mais dor aos que estivessem preparados para eles. É tolice perder tempo tentando remover todos os espinhos do campo para só então correr livremente por ele. Mais sábio é proteger os próprios pés e fazer o que se quer fazer sem deixar que as dores se transformem em impedimento.

Assim é o caminho espiritual: a quem vê de fora é apenas o prazer da liberdade, a plenitude, e realmente é. Só que muitos são os espinhos espalhados pelo caminho. Aos despreparados, a dor é inevitável. Alguns desistem e passam a rejeitar esse caminho. Outros prosseguem suportando a dor a fim de sentir em algum momento a tão almejada liberdade. Esse é o caso dos que suportam flagelos e sacrifícios físicos a fim de domar o corpo e submeter o ego. Porém, apesar dessa escolha ser um ato de coragem, não há necessidade da dor e do sofrimento; não mais. O trilhar pode ser suave, prazeroso para aqueles que se calçam, para os que se protegem e passam a ver o mundo com as lentes do Amor Incondicional.

Você pode já ter tentado percorrer o caminho descalça, pode já ter se ferido muitas e muitas vezes, pode ter pensado em desistir ou em suportar, porém agora aprendeu, enfim, que a dor não é mais necessária àqueles que se submetem aos sacrifícios exigidos pelo amor maior.

No que diz respeito ao alimento, todas as consciências menores, de qualquer alimento, pode ser purificada por aquele que já despertou em si a verdadeira energia amorosa. O homem que está em união com a consciência pura não é escravo de nada: nem do que come, nem do que vê, ouve, respira, pensa ou sente. Ele é mestre de su mesmo e como tal pode controlar e transmutar a energia do mundo a seu redor a partir do mundo dentro de si.

Quando o mestre Jesus lhes ensinou: “O que faz mal não é o que entra pela boca do homem, mas o que sai”, ele queria que percebêssemos que para aquele que se preocupa com seu papel no mundo, com o que causa nos outros, assumindo a responsabilidade existencial e amando o suficiente para emanar apenas o que é belo, para este pouco importa o alimento que ingere, pois que qualquer coisa que coma será tocada pelo amor de sua essência já desperto na personalidade.

segunda-feira, 21 de maio de 2012

Silêncio...



E no fim de tudo isso a gente percebe que só o que realmente nos fala é o Silêncio...e nada mais importa, nem pesa. Desfaz-se apenas: as correntes e laços mal dados, os fardos e fados mal contados, as dores e amores mal amados!!! Resta o Si e o tom...a vagar na doce poesia da vida que se esconde por trás do barulhento mundo dos ditos pensantes!!! E nada mais é além disso...

quinta-feira, 15 de março de 2012

Se, por Prof. Hermógenes




Se, ao final desta existência,
Alguma ansiedade me restar
E conseguir me perturbar;
Se eu me debater aflito
No conflito, na discórdia…

Se ainda ocultar verdades
Para ocultar-me,
Para ofuscar-me com fantasias por mim criadas…

Se restar abatimento e revolta
Pelo que não consegui
Possuir, fazer, dizer e mesmo ser…

Se eu retiver um pouco mais
Do pouco que é necessário
E persistir indiferente ao grande pranto do mundo…

Se algum ressentimento,
Algum ferimento
Impedir-me do imenso alívio
Que é o irrestritamente perdoar,

E, mais ainda,
Se ainda não souber sinceramente orar
Por quem me agrediu e injustiçou…

Se continuar a mediocremente
Denunciar o cisco no olho do outro
Sem conseguir vencer a treva e a trave
Em meu próprio…

Se seguir protestando
Reclamando, contestando,
Exigindo que o mundo mude
Sem qualquer esforço para mudar eu…

Se, indigente da incondicional alegria interior,
Em queixas, ais e lamúrias,
Persistir e buscar consolo, conforto, simpatia
Para a minha ainda imperiosa angústia…

Se, ainda incapaz
para a beatitude das almas santas,
precisar dos prazeres medíocres que o mundo vende…

Se insistir ainda que o mundo silencie
Para que possa embeber-me de silêncio,
Sem saber realizá-lo em mim…

Se minha fortaleza e segurança
São ainda construídas com os materiais
Grosseiros e frágeis
Que o mundo empresta,
E eu neles ainda acredito…

Se, imprudente e cegamente,
Continuar desejando
Adquirir,
Multiplicar,
E reter
Valores, coisas, pessoas, posições, ideologias,
Na ânsia de ser feliz…

Se, ainda presa do grande embuste,
Insistir e persistir iludido
Com a importância que me dou…

Se, ao fim de meus dias,
Continuar
Sem escutar, sem entender, sem atender,
Sem realizar o Cristo, que,
Dentro de mim,
Eu Sou,
Terei me perdido na multidão abortada
Dos perdulários dos divinos talentos,
Os talentos que a Vida
A todos confia,
E serei um fraco a mais,
Um traidor da própria vida,
Da Vida que investe em mim,
Que de mim espera
E que se vê frustrada
Diante de meu fim.

Se tudo isto acontecer
Terei parasitado a Vida
E inutilmente ocupado
O tempo
E o espaço
De Deus.
Terei meramente sido vencido
Pelo fim,
Sem ter atingido a Meta.



http://www.youtube.com/watch?v=dD7lBownfBU

terça-feira, 8 de novembro de 2011

Onde cabem os sonhos?



Qual é o tamanho dos meus sonhos? Será que cabem nesta vida, nessa terra, na palma dessa minha mão? O tempo nos conduz rumo ao desconhecido e são tantas as utopias que largamos pelo caminho que às vezes me pego pensando por onde larguei os anseios que montam a minha alma.

Viver como escritora apenas, tecendo palavras para colorir o mundo, enchendo o coração das pessoas com a essência do que trago em mim, espalhar as boas idéias assim como o vento espalha o pólen, semear o belo proclamando a arte que vem do espírito e que não se permite perder nos meandros das necessidades comerciais...: é disso que são compostos os meus sonhos,... e de que adianta? 

Não se vive mais de escrever livros, não se aprecia mais a arte com o coração, não se busca sentir os contornos das almas alheias... Então eu guardo os meus sonhos em uma caixinha pequena, a espera do dia em que poderei abrí-la novamente e de lá tirar o perfume da utopia, para enfim tecer os laços da minha vida. Trago ainda em mim a beleza do que me é importante e através dela tento sobreviver aos ditames do dia a dia, às dificuldades de se construir uma carreira rentável, ao cansaço existencial de se caminhar por um mundo onde tudo se exige e pouco se dá.

E quem sabe um dia os meus sonhos saltem dessa caixa chamada cérebro, e me levem de volta para meu lar, para o lugar onde a essência vale mais do que roupas de marca, onde o belo é o que vem do coração e o que é permeado pelo amor, e não o que parece ser mais. Quem sabe um dia, meu mundo tenha lugar no mundo, e eu possa ser quem eu sou, livre, simples...; sem as amarras do que as responsabilidades cotidianas me obrigam a ser. Nesse dia eu serei apenas sonhos colorindo o que um dia achei que fosse real; serei apenas...e só!!!

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Trecho do livro "A Arca", por Jair Tércio


 
"Ventava demasiadamente, e sentados num ambiente divino de uma serra, o Iluminado e a humanidade, contemplavam a montanha diante deles. Num determinado momento, ela perguntou-lhe: o que faz com que a montanha toque o céu? 

O Iluminado respondeu: se podemos explicar, então não é. Aquiete e experimente. Aprenda que a experiência diz muito; e se é direta, correta e completa, diz tudo. Lembre-se que, aquele que contempla busca a essência; quem contempla caminha para o Santuário da Luz que lhe é interior; quem contempla tende a encontrar o Deus que lhe é íntimo. Portanto, deixe o seu coração alegre com isto. 

A humanidade reagiu: então você já não dá mais atenção à lógica e à razão. 

Neste momento, passava, voando, uma borboleta. 

Borboleta! Chamou o Iluminado – como é que você faz para não perder seu destino com tamanha ventania? 

A borboleta respondeu: nunca pensei nisso. 

Que tal pensar agora, pois nossa amiga aqui gostaria de ouvir uma explicação! 

A borboleta olhou para suas asas e começou: bem... eu fixo o meu objetivo... não, não é bem isso... tenho que aproveitar o vento... 

Durante um tempo, a borboleta tentou explicar como fazia, e a medida que tentava, ia confundindo-se cada vez mais. Quando quis continuar seu caminho, já não podia mais voar. 
Daí ela disse: me desculpem, pois na preocupação de lhes mostrar como voo, perdi o equilíbrio, tenho que retornar ao que estava fazendo. 

Isso é o que acontece com quem deseja explicar tudo, principalmente, quando devem estar somente agindo. Depois disso a borboleta calou-se e continuou o seu caminho. 

O Iluminado só olhou para a humanidade que esclarecida pôs-se a experimentar.

domingo, 16 de outubro de 2011

A Cegueira Necessária, por Camilla Bomfim



Um dia quero aprender a não enxergar
Neste mundo no qual penso que tudo é real
Quero ser completamente cega para a ilusão
Quero ver a realidade com o olhar do coração
 
Um dia quero não ver meus amigos, minha família, meus pais
Quero não olhar ninguém, nem mesmo me enxergar
Quero somente amar e nada mais
Quero ver para crer que isso aqui não é real

Um dia quero não enxergar as pessoas como elas estão
Quero deixar de ver os papéis, o total disfarce
Quero despertar para ver quem verdadeiramente somos
Quero ver Deus em toda parte

Um dia, quando eu fechar meus olhos
Deixarei de ver tudo o que me faz ser cega
E enxergarei somente Deus e sua essência
Na humanidade já desperta.

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Percepção da UNIDADE



Perdi-me dentro de mim...
Ousei olhar para meu espírito
E descobri que sou o cosmos, que faço parte das estrelas.
Percorri minhas veias, senti minha respiração
E me vi sendo, ao mesmo tempo, o grão de areia
E o ponto de contemplação.

Perdi-me fora de mim...
Fundi o meu ser na grama verde,
Subi até o topo das árvores,
Pendurei-me nas asas dos pássaros
E simplesmente me permiti voar.
Não tinha mais sapatos nos pés, ou correntes nos braços,
Apenas percorria o céu
E brincava de cortar o ar

Perdi-me acima de mim...
Mergulhei sem medo de volta ao chão,
Desci no topo de uma montanha
E observei o horizonte, o infinito.
Fui com o vento, num assopro bendito
E num instante eu era a de beleza firme e estranha.

Perdi-me de mim...
Transformei-me na gota d'água, no ar, no sol,
Fiz-me planta, animal, terra e céu,
Pintei um arco-íris e toquei uma canção de amor
E ao me perder de meu próprio véu
Encontrei-me com o verdadeiro sabor
E me vi no tudo, com o tudo em mim
Voando, dançando, cantando
Sendo realmente meu ser
Simplesmente o Uno, o Amor...assim.



Denise da Mata - 23/03/10