quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

O templo de Deus


O templo de Deus está no interior da alma.
Entre nessa quietude e sente-se, meditando,
com a vela da intenção queimando no altar.
Não há desassossego,
não há busca, nem tensão, ali.
Entre no interior da solitude.

O lugar mais amado por Deus
é o templo interior de silêncio e paz de Seus devotos.
Sempre que você entrar aqui, neste lindo templo,
deixe a inquietude e as preocupações para trás.
Se não se despojar delas,
Deus não poderá vir a você.

Não precisamos fugir para a floresta para buscá-Lo.
Podemos encontrá-Lo diariamente
nesta floresta de vida cotidiana,
na gruta do silêncio interior.

Paramahansa Yogananda

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Segredos de Deus revelados


A história da humanidade é permeada de mistérios, contradições e segredos. Um Ser Criador que exalta a "mão forte da justiça" e age de acordo com o "olho por olho, dente por dente" conduz a humanidade em conjunto com Seres de Amor Divino, que oferecem a outra face.

Enfim, estamos diante da Revelação Cósmica e novas informações nos chegam e fazem com que as peças dessa aparente contradição se encaixem, levando-nos a profundas reflexões acerca de quem nós realmente somos e qual nosso papel aqui neste planeta.

Abaixo a letra da música "Sob o sol", da banda "Sagrado Coração da Terra", que muito tem a ver com o contexto que estamos vivendo agora. O Deus Criador deste universo revela-se a nós e merece todo o nosso respeito e amor.
A seguir o link para o vídeo postado no youtube.

Sob o Sol

(Sagrado Coração da Terra)

Sobre as nossas cabeças o sol
Sobre as nossas cabeças a luz
Sobre as nossas mãos a criação
Sobretudo o que mais for o coração
Luz da fé que guia os fiéis
Pelo deserto sem água e sem pão
Faz de pedras o rio brotar
Faz do céu chover forte o maná
Quebra o vaso de barro do teu coração
Com o melhor vinho do teu amor
Pois quer a lei que ele se perca no chão
E floresça o deserto aos seus pés
Regando as areias, nebriando o regato e as luzes do
Éden das flores
Na terra dos homens
No circo dos anjos
Guardiões implacáveis do céu
Dançamos a dança da vida
No palco do tempo teatro de Deus
Árvores, sândalos, sonhos
Os frutos da mente são meus e são teus
Nossos segredos guardados
enfim revelados, nus, sob o sol
Segredos de Deus tão guardados
enfim revelados, nus, sob o sol

Link para o vídeo postado no youtube

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Senhor Javé



Eis a tempestade, em pleno oceano,
A brisa fresca da manhã, no primeiro dia do ano.
A inquietação, o movimento,
O sono, o lamento,
Dia de chuva e fim de tarde,
Noite longa e sol que arde,
Expectativa do porvir,
O olhar do passado, o partir.

O Senhor dos Exércitos, a Mão forte da Justiça,
O poder, a meta, a intolerância contra a cobiça,
Pai amoroso, amigo protetor,
Força intensa que circula os laços de amor.
Eis a luta e a trégua,
O perdão e a culpa,
A impulsividade, a estratégia,
O refazer, recomeçar, superar a tragédia.

Força intensa, porém leve.
Enigma indecifrável, porém simples.
O olhar detalhista e observador,
Que testa, faz, age e ignora a dor.

Eis o Criador, o Artista maior desse mundo.
Ampara o trabalhador,
Culpa o vagabundo.
Sustenta o equilíbrio e mantém a força invisível,
Grita em silêncio o temor incompreensível.

Deseja apenas o amor, simplesmente.
Mas tem no medo muitas vezes um grande aliado.
Menino travesso, assustado,
Incompreendido por nossa nação tão injusta e demente.

A minha fé, agora livre e ilimitada,
Trouxe meu coração de volta ao Criador do universo.
E aqui estou eu, firme e feliz,
Apesar de cansada.
Reconciliando-me com antigas crenças, resgatando a raiz.

O meu amor absoluto, agora mais consciente,
Faz meu corpo se curvar em respeito à Sua luta por mim,
Por toda essa gente.
E meu espírito, cheio de saudade e esperança,
Coloca-me atenta, disposta a lutar pela paz,
A espera da grande mudança.

E preparada para o grande momento,
Sem mais sentir medo, dor, ou lamento,
Entrego meu amor, meu respeito e minha fé,
Em servidão livre, consciente e doce ao Senhor Javé.

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Uma oração simples


Pai Amantíssimo,

Que a simplicidade reine soberana em minha alma todos os dias da minha vida.

Possuo um corpo complexo, que construiu uma personalidade complexa, e a inseriu em uma sociedade complexa. Em meio a tanta complexidade, que ao menos meu coração permaneça simples, ansiando pelo contentamento infantil diante da vida, desejando apenas Ser, amando simplesmente.

Que eu continue preferindo os pés descalços na grama aos saltos altos exigidos no mundo jurídico. Que a companhia dos meus sobrinhos seja sempre meu balsámo, meu refúgio, e que eles continuem a me ver como a adulta mais criança que conhecem, pois assim, sem saber, me abençoam ao dividir comigo a maneira simples com que enxergam o mundo.

Que eu continue a perdoar, a esquecer o que me machucou, a amar a quem me feriu. Que eu nunca ceda à vingança ou ao rancor, nem nunca me sinta vítima do mundo a minha volta. Antes, que eu enxergue que a minha vida como está é reflexo do que É o meu mundo interior, e assuma a responsabilidade das minhas escolhas, sendo elas certas ou não.

Que eu nunca me sinta só, mas se em algum momento a solidão me tocar que ela venha como uma amiga, a me ensinar mais sobre mim mesma e sobre o que devo fazer para ser uma pessoa melhor.

Que eu não me deixe levar por pensamentos ruins, nem dê atenção ao mal do mundo ou das pessoas, mas que enxergue o melhor de cada um e o bem de cada situação dolorosa.

Que as dificuldades da vida não me corrompam, nem tomem de mim meus princípios, valores e objetivos. Que eu não me apegue aos meus desejos, nem sofra ao não ter atendidas as minhas expectativas.

Pai,

Mas se for necessário sofrer, que eu aprenda com a dor;
Se for necessário que eu perca, que eu não desista da luta;
Se for necessário que eu fique só, que a solidão não se instale em meu coração.

Ensina-me a ver a Luz do meu próprio Ser, a me recordar apenas do que me enaltece, a aprender sempre, a crescer sempre, a amar sempre...

E sempre de uma maneira simples, com a beleza de uma criança que brinca em uma piscina num dia quente de verão, com a simplicidade infantil que nada pede em troca do sorriso de cada dia.

Que eu apenas seja, e só...

Amém!!!

sábado, 1 de janeiro de 2011

Recordações...


Esfregava as mãos para tirar o excesso de terra. Sentia os grãos passarem por sua pele e, se pudesse colocar em palavras o que sentia, descreveria a essência de cada fragmento daquele solo. O vento passava-lhe pelos cabelos já grisalhos. O tempo batia a sua porta. O corpo já se cansava com mais facilidade, os reflexos já não eram os mesmos e nem os movimentos eram feitos com a mesma agilidade. Em compensação, havia aprendido a contemplar as coisas a sua volta com mais sabedoria. Em cada pessoa descobria um mundo de infinitas possibilidades. Em cada árvore, em cada animal de sua fazenda via uma essência divina que acalentava sua alma. Ao arar a terra sentia Deus na palma de suas mãos e quando apertava os grãos do solo contra sua pele sentia ter em si o zelo amoroso do criador para com a criatura, e sentia-se ao mesmo tempo esses dois personagens da história: era o Criador ainda em estado latente, tinha em si o desejo de criar, de modelar, de dar vida; e era a criatura servil e grata, que cuidava do lar que lhe foi concedido com todo o amor que sentia em suas veias.

Ao fim do dia, tudo ficava ainda mais belo. Ele voltava para casa devagar. Gostava de caminhar ao lado de seu cavalo, compartilhando com ele aquele momento, reconhecendo no animal um grande companheiro naquela jornada. O sol ia se recolhendo aos poucos, diminuindo a força de seus raios. Com a mesma leveza, as flores intensificavam seus cheiros, alguns animais despertavam para seu turno e o vento esfriava devagarzinho como se querendo apaziguar os movimentos, embalando o sono de todos os seres. Ele gostava especialmente deste momento do dia. O fim de mais um expediente nesta vida, o recolhimento silencioso da existência terrena. Nessas horas podia olhar de frente para o sol, a estrela de grandeza assustadora. Sentia a luz acariciar-lhe a pele como se fizesse uma limpeza em seu espírito. Ele abria seu coração e deixava-se invadir pela energia do fim do dia. Essa era sua oração, essa era a sua comunhão com Deus. Seus passos seguiam sutis, como o findar dos dias, e as palavras que escrevia nasciam inebriadas por toda sua contemplação.

E, todos os dias, antes de também se recolher, ao colocar sua cabeça no travesseiro, em sua confortável cama, em sua bela casa, pensava em todos os seus semelhantes encolhidos em suas taperas desconfortáveis e frias, mas que conseguiam perceber, assim como ele, a presença de Deus nas coisas mais simples. Olhava para a sua esposa ao lado, ainda bela, apesar de tocada pelo passar dos anos: ela tinha a sua disposição todo o tempo livre e todas as circunstâncias para que se dedicasse a sentir o divino, mas estava absolutamente imersa nos desejos do “ter”, consumida pelo que lhe faltava e ocupada com os pensamentos mundanos do consumismo. Como ele queria que ela sentisse aquela paz, que sentisse o abraço de Deus nas pequenas coisas, nas pessoas a sua volta, em tudo o que esse belo planeta azul nos oferecia. Mas ele não podia lhe ensinar. Podia apenas beijar-lhe carinhosamente a testa para lhe transmitir um pouco de todo amor que sentia: amor simplesmente, um amor desapegado de todos os objetos, de todos os desejos, um amor que não exigia dela nada além de sua existência.

Agradecia a Deus, e sentia o divino pulsar em seu coração. Entregava-se ao sono, embalado pela energia da noite, para que seu corpo já velho e cansado se recuperasse para o dia seguinte, quando continuaria a servir a Deus servindo a seus semelhantes, contemplaria a Deus contemplando o planeta, oraria a Deus reverenciando o findar de mais um dia, e honraria a Deus inebriando suas palavras com o mais puro amor que brotava de seu ser, e deixaria essas sementes para a humanidade para que, quem sabe um dia, alguém as conseguisse cultivar.

domingo, 26 de dezembro de 2010

Por que a tristeza no natal???


Pergunta a Osho: Por que eu sinto tristeza em relação ao Natal, quando toda a mensagem é alegrar-se e ser feliz?

Resposta:

A mensagem de Cristo é alegrar-se e ser feliz. Mas essa não é a mensagem do cristianismo. A mensagem do cristianismo é: seja triste, com cara de poucos amigos, olhar de coitado; quanto mais coitado você parecer, mais santo você é.

Às vezes eu realmente fico sensibilizado pelo pobre Jesus. Ele caiu na companhia errada, e eu me pergunto como ele está lidando no paraíso com todos esses santos cristãos, tão tristes, tão aborrecidos.

Ele não era um homem aborrecido, ele não era um homem triste — ele não podia ser. A palavra cristo é exatamente um sinônimo de buda. Ele era uma pessoa iluminada. Ele regozijou-se a vida, nas pequenas coisas da vida. Ele regozijou-se ao comer, ao beber, ao fazer amigos. Ele amava o companheirismo, ele amava toda a vida.

Mas os cristãos ao longo dos séculos o pintaram como sendo muito triste. Eles o pintaram sempre na cruz, como se por 33 anos ele sempre estivesse na cruz. E no meu entender um homem como Jesus não morre triste, mesmo na cruz. Ele deve ter rido antes de morrer.

Isso é o que al-Hillaj Mansoor fez antes de ser morto pelos fanáticos muçulmanos, porque ele havia declarado: Ana'l haq — Eu sou Deus. Muçulmanos não podiam tolerar isso, assim como os judeus não podiam tolerar Jesus. Mataram-no — mas, antes que o matassem, ele olhou para o céu e gargalhou.

Cem mil pessoas se reuniram para ver esse fenômeno horrendo, o assassinato de um dos maiores seres humanos que já caminharam sobre a terra. Alguém da multidão perguntou: "al-Hillaj, por que você está rindo? Está sendo morto!" E ele foi morto da forma mais cruel, pedaço por pedaço.

A crucificação de Jesus não é nada comparada à de Mansoor: primeiro as pernas foram decepadas, então suas mãos foram cortadas fora, e depois os olhos foram retirados, e então seu nariz foi cortado fora, e em seguida sua língua foi cortada fora, e então sua cabeça foi decepada. Eles torturaram-no tanto quanto foi possível, mas ele riu. Alguém perguntou: "Por que você está rindo?"

Mansoor disse: "Estou rindo porque o homem que você está matando é outro alguém, eu não sou ele. Eu estou rindo para Deus também. O que está acontecendo? — essas pessoas enlouqueceram? Elas estão matando outro alguém! Eu, você não pode matar, é ridículo, todo o seu esforço é ridículo. Então deixe que isso seja lembrado, que fique registrado que eu ri da sua tolice!"

E é exatamente isso que Jesus deve ter feito, riu. Mas os cristãos têm tentado o seu melhor para representar Jesus como triste. Eles fabricaram um santo sem nada de um autêntico e real ser humano, eles cortaram tudo fora. Os evangelhos não são histórias verdadeiras, muito tem sido alterado, muito tem sido reduzido, muito tem sido acrescentado. Eles se tornaram meras ficções.

Ao longo dos séculos, os cristãos têm tentado retratar Cristo como mais e mais triste. Por quê? — porque por todo o mundo a religião tem sido dominada por um tipo neurótico de pessoas. Tem sido dominada por pessoas masoquistas, sádicas.

No Oriente também: hinduísmo, budismo, jainismo — todos estão sendo dominados por pessoas masoquistas, gente que gosta de se torturar, pessoas incapazes de viver a vida em sua totalidade. Gente que é covarde demais para viver, escapistas, têm dominado a religião até agora. Esses escapistas têm representado Buda como alguém sem risos, Mahavira como alguém sem risos.

E os cristãos realmente dizem que Jesus nunca riu na sua vida. Você pode acreditar nisso? Jesus nunca riu na vida? - e ele gostava de beber e comer, gostava de jogadores e prostitutas, gostava de todos os tipos de pessoas, e ele nunca riu?

Você pode imaginar que um homem como Jesus, que podia festejar por horas com seus amigos, nunca riu? É inconcebível! Como você pode ficar bebendo vinho e comendo por horas sem rir? Ele deve ter brincado, ele deve ter contado histórias engraçadas. Cortaram isso na edição. Ele era um homem muito verdadeiro, e muito corajoso. Ele aceitou Maria Madalena, famosa prostituta da época, como sua discípula. Isso requer coragem, requer ousadia. Não posso acreditar que ele nunca riu.

Eu prefiro acreditar em uma história muito fantasiosa sobre Zaratustra — a de que a primeira coisa que ele fez quando nasceu foi gargalhar. Nisso eu posso acreditar, mas eu não posso acreditar nessa história sobre Jesus, a de que ele nunca riu. Parece impossível.

Uma criança ... a primeira coisa que ele fez foi gargalhar. Mas eu posso acreditar nisso. Há uma certa beleza nisso, um certo significado. Isso simplesmente diz que Zaratustra nasceu sábio, nasceu iluminado, é isso. Se ele riu ou não, não é essa a questão.

E isso não parece muito difícil: se a criança pode chorar, porque ela não pode rir? Os médicos dizem que as crianças choram apenas para limpar a garganta, assim elas podem respirar mais facilmente. Mas isso pode ser feito de um jeito muito melhor por meio de uma gargalhada. E agora há médicos que dizem que se tomarmos o cuidado necessário as crianças não choram; pelo contrário, elas sorriem. Isso é um bom começo. Logo Zaratustras virão.

Mas até agora os médicos têm sido muito cristãos. A primeira coisa que fazem é segurar a criança de cabeça para baixo e batem-lhe nas nádegas. Você espera que a criança ria? São belas boas-vindas ao mundo, colocar a criança de ponta-cabeça, dar-lhe uma pancada - um bom começo, porque toda a vida ela vai tomar pancadas no traseiro, de novo e de novo. E pendurada de cabeça para baixo, como ela pode rir? Não causa admiração que ela chore!

Agora há alguns médicos trabalhando em uma direção diferente. Eles trazem a criança para fora do útero da mãe de uma forma mais natural, eles não cortam o cordão umbilical imediatamente porque isso gera o choro, é violência. Eles deixam a criança sobre a barriga da mãe com o cordão umbilical intacto. Eles dão um bom banho na criança, um banho quente, eles colocam a criança em uma banheira de água quente com exatamente a mesma temperatura existente no útero da mãe.

No útero da mãe a criança está flutuando na água. A água tem o mesmo conteúdo da água do mar, salgada. A criança é colocada numa banheira com a mesma solução química salina, com a mesma temperatura. Ela começa a sorrir. É uma recepção realmente muito bela.

E sem tubos de luzes fortes e ofuscantes: isso fere os olhos da criança. De fato, muitas pessoas estão usando óculos só por causa da insensatez dos médicos. A criança viveu por nove meses no útero da mãe, na escuridão, escuridão total. De repente, tanta luz: isso machuca seus delicados olhos. Você destruiu algo delicado nos olhos dela. A criança deve ser recebida com uma luz muito fraca, e a luz deve ser aumentada lentamente, lentamente, assim seus olhos se acostumam com a luz. Naturalmente, a criança sorri para um belo acolhimento.

Posso acreditar que Zaratustra gargalhou, mas não posso acreditar que Jesus jamais riu. Ele viveu 33 anos e não riu? — isso só seria possível se ele fosse completamente pervertido, completamente patológico, doente. Algo deve estar errado, se ele não riu. Mas não havia nada errado com ele; algo está errado com os seus seguidores. Eles representam seus santos, seus messias, seus profetas, como muito sérios, sombrios, tristes, só para mostrar que eles estão acima do mundo, que estão além do mundo, que não são mundanos. O riso parece superficial, parece não-espiritual.

É por isso — porque você foi educado como cristão. Embora a mensagem do Natal é alegrar e ser feliz, ainda existe uma tristeza, porque todo o cristianismo ensina você a ser triste. Não é uma religião de afirmação da vida, é de negação da vida. É de muito mais negação à vida do que o hinduísmo, de muito mais negação à vida que o judaísmo. Não tem senso de humor de modo algum. E uma religião sem senso de humor é doente, patológica. Precisa de tratamento psicológico.

Pedro, em pé no meio da multidão, olhou para Jesus na cruz. Enquanto olhava, viu claramente Jesus apontando para ele algo lá adiante.

"Psiu, ei, Pedro, vem cá", disse o Senhor.

Assim que Pedro moveu-se para a frente, dois guardas romanos bloquearam seu caminho e espancaram-no até que ele caiu no chão. Alguns momentos depois, Pedro, machucado e sangrando, olhou para cima e viu Jesus de novo apontando para a frente.

"Psiu, ei, Pedro, vem cá!"

Olhando ao redor, Pedro percebeu que a multidão havia ido embora e também os soldados romanos. Ele se aproximou de Jesus: "Sim, Senhor, o que é? O que o Senhor quer? "

"Ei, Pedro", disse Jesus. "Adivinha? Eu posso ver sua casa daqui!"

domingo, 7 de novembro de 2010

Síntese das antíteses, por Lao Tsé


Só temos consciência do belo
Quando conhecemos o feio.
Só temos consciência do bom
Quando conhecemos o mau.
Porquanto o Ser e o Existir
Se engedram mutuamente.
O fácil e o difícil se completam.
O grande e o pequeno são complementares.
O alto e o baixo formam um todo.
O som e o silêncio formam a harmonia.
O passado e o futuro geram o tempo.
Eis por que o sábio age
Pelo não-agir.
E ensina sem falar.
Aceita tudo que lhe acontece.
Produz tudo e não fica com nada.
O sábio tudo realiza - e nada considera seu.
Tudo faz - e não se apega à sua obra.
Não se prende aos frutos da sua atividade.
Termina a sua obra
E está sempre no princípio.
E por isso sua obra prospera.

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Respirar no Amor, segundo Osho



O amor é sempre novo. Ele nunca envelhece porque é não-cumulativo, não-armazenador.

O amor não conhece nenhum passado; é sempre fresco, tão fresco como as gotas de orvalho. Ele vive momento a momento, é atômico. Não tem nenhuma continuidade, não conhece nenhuma tradição.

Cada momento ele morre e cada momento ele renasce novamente. É como a respiração: você inspira, você expira; de novo você inspira e expira. Você não o guarda dentro.

Se você segurar a respiração você irá morrer porque ela se tornará viciada, ela se tornará morta. Ela irá perder aquela vitalidade, a qualidade da vida. O mesmo acontece com o amor; ele está respirando; a cada momento ele se renova. Então quando ficamos presos no amor e paramos de respirar, a vida perde toda significância.

E é isso que está acontecendo com as pessoas: a mente é tão dominante que ela até mesmo influencia o coração e o torna possessivo! O coração não conhece nenhuma possessibilidade, mas a mente o contamina, o envenena.

Então se lembre: apaixone-se pela existência! E deixe que o amor seja como o respirar. Inspire e expire, mas deixe que seja o amor entrando, saindo. Pouco a pouco a cada respiração você precisa criar essa mágica de amor.

Torne isso uma meditação: quando você expirar, sinta que você está derramando seu amor na existência; quando você inspirar, a existência está derramando seu amor em você. E logo você verá que a qualidade da sua respiração está mudando, assim ela começa a ficar algo totalmente diferente daquilo que você sempre conheceu antes.

Eis porque na Índia a chamamos de o prana da vida, não é apenas respirar, não é somente oxigênio. Algo mais está lá presente, a própria vida.

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Os girassóis e nós, por Padre Fábio de Melo

Eles são submissos. Mas não há sofrimento nesta submissão. A sabedoria vegetal os conduz a uma forma de seguimento surpreendente. Fidelidade incondicional que os determina no mundo, mas sem escravizá-los.

A lógica é simples. Não há conflito naquele que está no lugar certo, fazendo o que deveria. É regra da vida que não passa pela força do argumento, nem tampouco no aprendizado dos livros. É força natural que conduz o caule, ordenando e determinando que a rosa realize o giro, toda vez que mudar a direção do Regente.

Estão mergulhados numa forma de saber milenar, regra que a criação fez questão de deixar na memória da espécie. Eles não podem sobreviver sem a força que os ilumina. Por isso, estão entregues aos intermitentes e místicos movimentos de procura. Eles giram e querem o sol. Eles são girassóis.


Deles me aproximo. Penso no meu destino de ser humano. Penso no quanto eu também sou necessitado de voltar-me para uma força regente, absoluta, determinante. Preciso de Deus. Se para Ele não me volto corro o risco de me desprender de minha possibilidade de ser feliz. É Nele que meu sentido está todo contido. Ele resguarda o infinito de tudo o que ainda posso ser. Descubro maravilhado. Mas no finito que me envolve posso descobrir o desafio de antecipar no tempo, o que Nele já está realizado.


Então intuo. Deus me dá aos poucos, em partes, dia a dia, em fragmentos.


Eu Dele me recebo, assim como o girassol se recebe do sol, porque não pode sobreviver sem sua luz. A flor condensa, ainda que de forma limitada, porque é criatura, o todo de sua natureza que o sol potencializa.


O mesmo é comigo. O mesmo é com você. Deus é nosso sol, e nós não poderíamos chegar a ser quem somos, em essência, se Nele não colocarmos a direção dos nossos olhos.


Cada vez que o nosso olhar se desvia de sua regência, incorremos no risco de fazer ser o nosso sol, o que na verdade não passa de luz artificial.


Substituição desastrosa que chamamos de idolatria. Uma força humana colocada no lugar de Deus.


A vida é o lugar da Revelação divina. É na força da história que descobrimos os rastros do Sagrado. Não há nenhum problema em descobrir nas realidades humanas algumas escadarias que possam nos ajudar a chegar ao céu. Mas não podemos pensar que a escadaria é o lugar definitivo de nossa busca. Parar os nossos olhos no humano que nos fala sobre Deus é o mesmo que distribuir fragmentos de pólvora pelos cômodos de nossa morada. Um risco que não podemos correr.


Tudo o que é humano é frágil, temporário, limitado. Não é ele que pode nos salvar. Ele é apenas um condutor. É depois dele que podemos encontrar o que verdadeiramente importa. Ele, o fundamento de tudo o que nos faz ser o que somos. Ele, o Criador de toda realidade. Deus trino, onipotente, fonte de toda luz.


Sejamos como os girassóis...


Uma coisa é certa. Nós estamos todos num mesmo campo. Há em cada um de nós uma essência que nos orienta para o verdadeiro lugar que precisamos chegar, mas nem sempre realizamos o movimento da procura pela luz.


Sejamos afeitos a este movimento místico, natural. Não prenda os seus olhos no oposto de sua felicidade. Não queira o engano dos artifícios que insistem em distrair a nossa percepção. Não podemos substituir o essencial pelo acidental. É a nossa realização que está em jogo.


Girassol só pode ser feliz se para o Sol estiver orientado. É por isso que eles não perdem tempo com as sombras.


Eles já sabem, mas nós precisamos aprender.

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Despertar da Consciência


E ainda teimamos em continuar com nossas consciências adormecidas. Que triste! Muito triste! Nossa humanidade dorme, caminha cega, surda e muda, fazendo mal a si mesma, enterrando-se na ignorância de pretensos saberes, de filosofias moralmente vazias e tratados científicos tristemente técnicos.

Nossa tecnologia cresce a olhos vistos, nossas crianças aprendem mais coisas cada vez mais cedo, produzimos cada vez mais e melhor, e continuamos infelizes. Ainda nos alimentamos da tristeza alheia, nos interessamos por notícias sensacionalistas que exploram a miséria humana, fazemos piada da nossa própria podridão moral, toleramos a corrupão, vendemos nossa dignidade por muito pouco, passamos uma vida inteira acumulando riquezas, matando e roubando por privilégios e vantagens, nos orgulhamos do avanço das indústrias, exploramos mais e mais poços e petróleo sem perceber que estamos cavando a nossa própria cova.

Que triste! Muito triste! Que pena que tanta evolução intelectual não tenha trazido nenhuma melhora moral para nosso planeta. Lamentável que ainda estejamos correndo de um lado para o outro, orgulhosos dos buracos que trazemos em nossa alma, buscando desesperadamente em todos os sentidos externos algo que poderíamos até tocar se simplesmente fechássemos os olhos para purificar o coração.

Mas quem quer se dar ao trabalho de purificar o próprio coração? Quem quer despertar sua consciência? Quem quer assumir a responsabilidade de olhar para o mundo a sua volta e perceber que é uma ilusão, uma peça teatral falida e já sem platéia, cujo cenário está prestes a ser desmontado? Quem quer encontrar a Verdade, perceber-se livre, e ainda assim acorrentar-se aos que ainda estão cegos, apenas por amor a eles? Quem quer sair do conforto da ignorância, da comodidade do nada fazer por nada saber?

Todos os caminhos, todas as verdades terrenas, todas as filosofias que criamos, todos os dogmas que formulamos, todas as crenças pelas quais matamos nos convocam para a batalha, para o despertar, para a ação, para a coragem de se Amar sem esperar nada em troca, para a força de se lutar contra si mesmo e contra as próprias inclinações medíocres, para a grandeza de alma de se reconhecer pequeno diante desta força cósmica real e ainda desconhecida. Mas preferimos distorcer, discordar, esquecer, porque agir dá muito trabalho.

E assim, viciados nessa preguiça moral e espiritual, resumimos nossa espiritualidade em ir a igrejas, cultos, centros, templos, em repetir palavras sagradas sem entender o que significam. Especializamo-nos em rituais, normas e dogmas, porque assim fica mais cômodo, já que é muito mais fácil limpar o salão de uma igreja que o próprio coração, já que dá menos trabalho julgar o outro e apontar seus erros do que encarar nossas próprias mazelas morais.

E seguimos dessa forma: cegos, surdos, mudos, com a consciência ainda adormecida, rindo daqueles que tentam nos ensinar a prática do Amor Incondicional, ridicularizando os que seguem disciplinas espirituais próprias e diferentes, julgando os que se recusam a levantar a bandeira de uma religião específica. Que triste! Muito triste...


Abaixo estão os links dos vídeos transmitidos no II Encontro do Despertar da Consciência, realizado em Vitória da Conquista nos dias 06, 07 e 08 de agosto de 2010.

Clipe "A Religião do Amor".

Clipe "A força divina sempre presente em nosso planeta".

Clipe com as fotos das atividades realizadas por nós nos últimos meses.