domingo, 24 de abril de 2011

Sobre a morte de Sathya Sai Baba


Deixou o corpo hoje, Sathya Sai Baba e sinto uma imensa vontade de discorrer um pouco sobre isso e peço-lhes que leiam com amor no coração.
Considerando que cada vida é apenas um capítulo do longo livro de nossas existências, encerrou-se, na existência divina de Sai Baba, mais um capítulo repleto de luz, amor e serviço à humanidade. Minha mente humana e limitada não deixa de sentir essa perda, apesar de saber, conscientemente, que não houve nenhuma perda de fato. Sinto não poder explicar para as pessoas a minha volta o que significa para mim ter conhecido Sai Baba. Sim, ele fazia milagres, realizava curas, materializava objetos e muitas outras coisas fantásticas. Nunca duvidei disso, aliás, sei que todos esses milagres são hoje em dia já explicados cientificamente pela física quântica, portanto, não foram essas coisas que fizeram com que eu me aproximasse dele. Mágicas, milagres, fenômenos físicos...nada disso nunca me chamou a atenção.
O único milagre que me importa de fato é a transformação pessoal, a melhora íntima, a expansão da consciência, e estes Sai Baba tem me ajudado a realizar. Nunca estive em sua presença física, nunca toquei-lhe as mãos e os pés, nunca recebi nada por ele materializado, mas ele com certeza tocou meu coração e para mim isso é tudo o que importa.
Ele me ensinou a amar, a compreender as pessoas a minha volta, a sentir, na pele e concretamente que todos somos UM e que temos a responsabilidade de ter em nosso íntimo a essência divina que nos impulsiona a agir sempre em consonância com valores humanos, e assim sendo, devemos buscar por essa consciência dentro de nós mesmos e viver nossa vida em conformidade com ela. 
Ele me mostrou o sentido da minha vida, o porquê de eu estar aqui e a razão de eu pensar como penso e sentir como sinto. Guiou-me à experimentação do que há de mais fantástico nesse universo: a sensação da Unidade, que, através de minha conexão com ele, consegui sentir algumas vezes. Depois que conheci Sathya Sai Baba, nunca mais me senti desamparada, nunca mais me senti caminhando sozinha, nem pensei que eu  falava uma língua diferente de todos a minha volta. 
Uma vez me perguntaram, em tom de indignação, se eu estava adorando Sai Baba. Hoje sinto-me impelida a responder: não, eu não o adoro. Eu o AMO, e isso é completamente diferente. Meu sentimento por esse ser fantástico nada tem a ver com fanatismo, crença, religiosidade ou dogmatismo. É apenas um amor tão simples e tão puro que não se pode explicar. Sou grata pelo que ele me ensina, todos os dias, através da minha voz interior. Sou grata por seus 85 anos de serviço à humanidade, pelos hospitais, universidades, escolas de música, projetos de saneamento básico e por tudo o mais que fez a seu semelhante.
Eu o amo por ele nos ensinar que temos em nós a essência divina e que, antes de mais nada, temos que buscar por ela. Amo por ele dizer que a melhor forma de servir a Deus é servir ao próximo e por demonstrar com seu próprio exemplo que todos somos um só e que, portanto, amar e servir a todos é um dever. Amo por ele ter criado o programa de educação em valores humanos, através do qual tantas crianças estão sendo ensinadas a ser gente, a ser pessoas de caráter íntegro antes mesmo de serem profissionais brilhantes.
Minha experiência com Sai Baba se deu em meu mundo interno, e a realidade interior é a única condutora de meus passos. Tudo o que ele me deu, tudo o que em mim floresceu desde que ele me chamou no meio da noite é tão belo, tão sutil, tão suave e tão amoroso, que guardo aqui dentro, num lugar do meu coração onde as palavras e a racionalidade não encontram respaldo. Realmente não me importa se ele faleceu antes do que tinha dito que faleceria, ou se fulano e ciclano falam mal dele, ou se existem teorias e mais teorias que o acusam de ser uma farsa. São apenas tolices do mundo externo levadas a sério apenas pelos que não conseguiram ainda tocar o mundo do Ser, onde residem esses seres que vão muito além do nosso limitado entendimento.
Toda a ideologia, tudo o que ele me ensinou, tudo isso permanece, nada disso se perde. Só sinto por não termos mais fisicamente entre nós um ser humano verdadeiro, consciente, que tanto colaborou e tanto lutou pelo bem de todos, que tanto nos mostrou que é através do exemplo verdadeiro que ensinamos e que o mundo externo pode ser melhorado com a cura de nosso mundo interno. Sinto por ainda ver que as pessoas preocupam-se mais com a forma física dele do que com sua mensagem e que a maioria ainda não tem noção do quanto significa para toda a humanidade tudo o que ele disse. Ele nunca quis angariar devotos, nunca quis ser adorado. Só queria nos ensinar a amar. Sobre seus milagres ele dizia: “Eu lhes dou o que vocês querem para que, um dia, vocês queiram o que eu vim lhes dar”.
Espero que queiramos o que ele veio nos dar, que aprendamos finalmente a amar, a respeitar o outro, a servir a humanidade através de nosso próprio exemplo; que melhoremos as pessoas melhorando nosso próprio coração. Sathya Sai Baba, que mais que meu mestre pessoal, é o amor da minha vida, deixou o corpo físico, mas não nos deixou. Continuará nos inspirando a tomar posse de nossa identidade divina e a agir em conformidade com isso. Temos em nosso íntimo um pedaço de Deus, como já nos dizia Jesus Cristo quando ensinava que o reino de Deus está dentro de nós; e se Deus nada faz além de amar e servir, nós também devemos agir assim.
A vida aqui nesse plano continua e temos muito trabalho a fazer. Desejo, de coração, que todos aqueles que se preocupam com a aparência física de Sai Baba, ou os que passaram a tê-lo em baixa conta devido à antecipação de sua morte, ou mesmo os que continuarão a se preocupar apenas com fenômenos físicos que parem para refletir por ao menos alguns minutos sobre a mensagem que ele deixou, sobre o trabalho concreto ao próximo, sobre o que ensinava a seus devotos. E que todos nós deixemos um pouco de nos preocupar com os milagres que ele fazia e passemos a nos ocupar de praticar a filosofia de amor de que ele tanto falava. Que aprendamos, de fato, a cuidar de nossa parte divina.
Obrigada, Swami, por estar sempre comigo e por me mostrar que a humanidade ainda pode aprender a amar, desde que todos façamos a nossa parte. Sempre juntos!!!
Com amor,
Denise da Mata.

Vídeo Team Player, feito por um aluno em comemoração ao aniversário de Sai Baba. Clique aqui.

quinta-feira, 21 de abril de 2011

Iluminar e só...


Iluminar para sempre
Iluminar tudo
Até os últimos dias da eternidade
Iluminar e só:
Eis o meu lema
E o do sol.

Vídeo - Clique aqui

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Pergunta a Sathya Sai Baba


Pergunta de um devoto a Sai Baba: "Qual é o grande fator que nos impede de ver a verdade da vida claramente?"

Sai Baba: "Tempo, trabalho, motivação e experiência: esses quatro juntos, em harmonia, são a Verdade. Quando os quatro são encontrados sem harmonia, vocês sentem que há algo falso."

Devoto: "Mas a verdade, em termos de trabalho, tempo, motivação e experiência..., olhando-se em redor, notam-se essas coisas operando, e o mundo está numa confusão muito grande. Assim sendo, deve existir algo além disso."

Sai Baba: "Quando você não tem fé absoluta no resultado, então a dúvida surge. Um exemplo: agora é dia e os objetos na sala são vistos claramente e não há dúvidas a respeito deles. À noite, quando está completamente escuro e você tem que andar tateando e não vê nenhum dos objetos, não há dúvida a respeito da situação. Mas ao cair da noite, quando há meia-luz e meia-treva, a dúvida pode surgir e você, ao ver uma corda, pode imaginar que ela é uma cobra e sentir medo.

A luz não é total e a visão não é clara. A luz plena é sabedoria e a completa escuridão é ignorância. A dúvida aparece quando há metade escuridão e metade sabedoria. A meia-luz é sabedoria e a meia-treva é ignirância. Ignorância e sabedoria: quando ocorrem juntas e metade-metade, há dúvida. Agora você está no estado intermediário, no qual tem um pouquinho de sabedoria e também alguma ignorância, onde a ignorância e a sabedoria estão misturadas. Você não é totalmente experiente. Quando tiver a experiência apropriada, a dúvida desaparecerá. Como você não tem experiância, está sentindo essa dúvida.

Um pequeno exemplo: sofrendo de malária, você come um doce, mas sente que ele tem um sabor amargo. O doce não é amargo, mas, na sua experiência, ele é amargo. Não é culpa do doce. A ignorância também é uma doença, como a malária. E a cura para esta doença da ignorância é Sadhana (o caminho interior). O homem tem dúvida somente enquanto ele não conhece a verdade. Quando você vivenciar a verdade, a dúvida desaparecerá. A verdade é única e eterna. Tudo o que muda, saiba que é inverdade.

Você foi pequeno e cresceu. Isso também é inverdade. Onde está o corpo do menino de dez anos? Tudo se juntou no presente corpo. Primeiro, inverdade; depois, quando temos a experiência, conhecemos a verdade. Luz e trevas não são diferentes, são apenas um. Exemplo: na noite passada você comeu uma fruta, de manhã ela se transformou em excremento e você a eliminou. Era fruta ontem, mas o bom e o mau são a mesma coisa, uma só. De uma forma era fruta, de outra forma era excremento.

O mesmo se passa com a luz e as trevas. Quando a luz vem, as trevas vão. Mas, na verdade, as trevas não vão a parte alguma e nem a luz vai a parte alguma. Quando uma surge, a outra é ignorada, ela não vai a parte alguma."


Do livro "Conversações com Sai Baba", de J. S. Hislop.

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Querer, saber e amar


Você poderá vir a ser o que quiser, mas é necessário, além de querer, saber e fazer. Todo o poder da alma resume-se em três palavras: querer, saber e amar. Não basta crer e saber, é necesssário viver nossa crença, isto é, fazer penetrar na prática diária da vida os princípios superiores que adotamos.

Querer, isto é, fazer convergir toda a atividade, toda a energia, para o alvo que se tem de atingir, desenvolver a vontade e aprender a dirigí-la.

Saber, porque sem o estudo profundo, sem o conhecimento das coisas e das leis, o pensamento e a vontade podem transviar-se no meio das forças que procuram conquistar e dos elementos a quem aspiram governar.

Acima, porém, de tudo, é preciso amar, porque sem o amor a vontade e a ciência seriam incompletas e muitas vezes estéreis. O amor ilumina-as, fecunda-as, centuplica-lhes os recursos. Não se trata aqui do amor que contemplam sem agir, mas do que se aplica a espalhar o bem e a verdade pelo mundo.

Não há progresso possível sem observação atenta de nós mesmos. É necessário vigiar todos os nossos atos impulsivos para chegarmos a saber em que sentido devemos dirigir nossos esforços para nos aperfeiçoarmos.

Primeiramente, regular a vida física, reduzir as exigências materiais ao necessário, a fim de garantir a saúde do corpo, instrumento indispensável para o desempenho de nosso papel terrestre.

Depois disciplinar as impressões, as emoções, exercitando-nos em dominá-las, em utilizá-las como agentes de nosso aperfeiçoamento moral; aprender principalmente a esquecer, a fazer o sacrifício do "eu", a desprender-nos de todo o sentimento de egoísmo.

Não há assunto mais importante que o estudo do pensamento, seus poderes e ação. É a causa inicial de nossa elevação ou de nosso rebaixamento; prepara todas as descobertas da Ciência, todas as maravilhas da Arte.

Em qualquer campo das atividades sociais, em todos os domínios do mundo visível ou invisível, a ação do pensamento é soberana; não é menor sua ação, repetimos, em nós mesmos, modificando constantemente nossa natureza íntima. As vibrações de nossos pensamentos, de nossas palavras, renovando-se em sentido uniforme, expulsam de nosso invólucro os elementos que não podem vibrar em harmonia com elas; atraem elementos similares que acentuam as tendências do ser.

Se meditarmos em assuntos elevados, na sabedoria, no dever, no sacrifício, nosso ser impregna-se, pouco a pouco, das qualidades de nosso pensamento. É por isso que a prece improvisada, ardente, o impulso da alma para as potências infinitas, tem tanta virtude. Nesse diálogo solene do ser com sua causa, o influxo do Alto invade-nos e desperta sentidos novos.

Poucos homens sabem viver próprio pensamento, beber nas fontes profundas, nesse grande reservatório de inspiração que cada um traz consigo, mas que a maior parte ignora. Por isso criam um invólucro povoado das mais disparadas formas. Seu espírito é como uma habitação franca a todos os que passam. Os raios do bem e as sombras do mal lá se confundem, num caos perpétuo.

Léon Denis - do livro "O problema do ser, do destino e da dor".

domingo, 30 de janeiro de 2011

Sobre o apego a velhas idéias


"...Nos tempos antigos, havia o pensamento comum de que a Terra era plana e que qualquer um que se aventurasse muito longe, em qualquer direção, provavelmente se perderia no espaço. Quando métodos mais acurados para determinar a forma do planeta foram descobertos, mostrando que ele era esférico, e não plano, as pessoas continuaram a se agarrar à antiga crença, a despeito das novas evidências ao contrário, e perseguiram os que apresentaram a nova idéia.

Muitas guerras foram travadas entre os que mantinham diferentes crenças ou idéias, ambos os lados igualmente determinados a provar que sua crença era a correta. Em consequência, o grupo que pensava diferente tinha que estar errado e deveria ser punido ou erradicado. É claro que tal tipo de impasse não está limitado somente a grupos ou nações e existe entre indivíduos em todos os níveis da sociedade. Ele nasce da necessidade tola e egoísta de tentar provar que estamos certos e concluir que qualquer um que discorde de nós tem necessariamente que estar errado, esquecendo que vários pontos de vista diferentes são possíveis.

Inúmeras situações similares se avolumaram através da longa história do mundo. O pior disto é que só raramente um dos lados está completamente certo ou inteiramente errado, visto que isto é totalmente relativo. Ninguém tem acesso à verdade plena sobre algo em um momento em particular. Cada um de nós tem sua própria pequena parte, mas tola e egoisticamente acredita que tem o todo, e quando isto parece diferir da parte de outra pessoa, estamos tão convencidos de que temos a figura inteira, que estamos igualmente certos de que o outro tem que estar errado.

A história dos três cegos que foram solicitados a descrever um elefante ilustra muito bem este ponto. Eles se aproximaram do animal e cada um esticou sua mão para tocá-lo a fim de determinar sua forma. A mão de um dos homens entrou em contato com a tromba e, pensando que havia tocado a criatura inteira, a descreveu como sendo longa e tubular como uma cobra. O outro homem tomou nas mãos uma das orelhas e descreveu o elefante como plano e maleável. O terceiro tocou a perna do elefante e declarou que o animal ela largo, roliço e firme e lembrava o tronco de uma árvore. Analisando a história, constatamos que todos estavam corretos relatando suas experiências individuais, mas falharam em perceber que cada um havia descrito somente uma parte do elefante inteiro, que era muito maior que a soma das três partes.

As crenças muito arraigadas caem nesta categoria. Existem muitos assuntos sobre os quais podemos ter conceitos muito fortes, e nem sempre verificamos se realmente acreditamos naquilo por ser verdade ou apenas por ser útil no momento presente. Muitos conceitos eram válidos em uma determinada época quando eram oportunos e úteis, mas não têm nenhuma importância agora, ainda que nos agarremos a eles como se garantissem algum tipo de segurança, como uma jangada em um mar revolto.

É necessário nos questionarmos repetidamente: "Eu realmente acredito nisso ou naquilo e isto é aplicável agora? Isto emperra meu progresso ou me libera para agir?" Se uma crença particular não é mais válida ela deveria ser abandonada. Assim como amadurecemos, muitas crenças acalentadas tornam-se obsoletas, e são um empecilho, em vez de auxílio.

Assim como ocorrem mudanças no mundo, particularmente as resultantes de todas as novas descobertas, invenções e métodos de trabalho, os velhos conceitos fora de moda que não são mais úteis, devem ser descartados para impedir nossa mente-macaco de continuar a se agarrar a eles, já que, nos livrarmos deles, nos deixaria livre do controle que exercem sobre nós..."


Texto retirado do livro "Domando a nossa mente-macaco - segundo os ensinamentos de Sai Baba", de autoria de Phillis Kristal.

Para quem não tem medo de novas idéias, visite os links seguintes e entre em contato com novas informações acerca do contexto cósmico que nos envolve. Apenas sementes para reflexão.

Projeto Orbum - Livro "O Drama Cósmico de Javé"

Projeto Orbum no youtube - Palestras de Jan Val Ellam

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

O templo de Deus


O templo de Deus está no interior da alma.
Entre nessa quietude e sente-se, meditando,
com a vela da intenção queimando no altar.
Não há desassossego,
não há busca, nem tensão, ali.
Entre no interior da solitude.

O lugar mais amado por Deus
é o templo interior de silêncio e paz de Seus devotos.
Sempre que você entrar aqui, neste lindo templo,
deixe a inquietude e as preocupações para trás.
Se não se despojar delas,
Deus não poderá vir a você.

Não precisamos fugir para a floresta para buscá-Lo.
Podemos encontrá-Lo diariamente
nesta floresta de vida cotidiana,
na gruta do silêncio interior.

Paramahansa Yogananda

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Segredos de Deus revelados


A história da humanidade é permeada de mistérios, contradições e segredos. Um Ser Criador que exalta a "mão forte da justiça" e age de acordo com o "olho por olho, dente por dente" conduz a humanidade em conjunto com Seres de Amor Divino, que oferecem a outra face.

Enfim, estamos diante da Revelação Cósmica e novas informações nos chegam e fazem com que as peças dessa aparente contradição se encaixem, levando-nos a profundas reflexões acerca de quem nós realmente somos e qual nosso papel aqui neste planeta.

Abaixo a letra da música "Sob o sol", da banda "Sagrado Coração da Terra", que muito tem a ver com o contexto que estamos vivendo agora. O Deus Criador deste universo revela-se a nós e merece todo o nosso respeito e amor.
A seguir o link para o vídeo postado no youtube.

Sob o Sol

(Sagrado Coração da Terra)

Sobre as nossas cabeças o sol
Sobre as nossas cabeças a luz
Sobre as nossas mãos a criação
Sobretudo o que mais for o coração
Luz da fé que guia os fiéis
Pelo deserto sem água e sem pão
Faz de pedras o rio brotar
Faz do céu chover forte o maná
Quebra o vaso de barro do teu coração
Com o melhor vinho do teu amor
Pois quer a lei que ele se perca no chão
E floresça o deserto aos seus pés
Regando as areias, nebriando o regato e as luzes do
Éden das flores
Na terra dos homens
No circo dos anjos
Guardiões implacáveis do céu
Dançamos a dança da vida
No palco do tempo teatro de Deus
Árvores, sândalos, sonhos
Os frutos da mente são meus e são teus
Nossos segredos guardados
enfim revelados, nus, sob o sol
Segredos de Deus tão guardados
enfim revelados, nus, sob o sol

Link para o vídeo postado no youtube

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Senhor Javé



Eis a tempestade, em pleno oceano,
A brisa fresca da manhã, no primeiro dia do ano.
A inquietação, o movimento,
O sono, o lamento,
Dia de chuva e fim de tarde,
Noite longa e sol que arde,
Expectativa do porvir,
O olhar do passado, o partir.

O Senhor dos Exércitos, a Mão forte da Justiça,
O poder, a meta, a intolerância contra a cobiça,
Pai amoroso, amigo protetor,
Força intensa que circula os laços de amor.
Eis a luta e a trégua,
O perdão e a culpa,
A impulsividade, a estratégia,
O refazer, recomeçar, superar a tragédia.

Força intensa, porém leve.
Enigma indecifrável, porém simples.
O olhar detalhista e observador,
Que testa, faz, age e ignora a dor.

Eis o Criador, o Artista maior desse mundo.
Ampara o trabalhador,
Culpa o vagabundo.
Sustenta o equilíbrio e mantém a força invisível,
Grita em silêncio o temor incompreensível.

Deseja apenas o amor, simplesmente.
Mas tem no medo muitas vezes um grande aliado.
Menino travesso, assustado,
Incompreendido por nossa nação tão injusta e demente.

A minha fé, agora livre e ilimitada,
Trouxe meu coração de volta ao Criador do universo.
E aqui estou eu, firme e feliz,
Apesar de cansada.
Reconciliando-me com antigas crenças, resgatando a raiz.

O meu amor absoluto, agora mais consciente,
Faz meu corpo se curvar em respeito à Sua luta por mim,
Por toda essa gente.
E meu espírito, cheio de saudade e esperança,
Coloca-me atenta, disposta a lutar pela paz,
A espera da grande mudança.

E preparada para o grande momento,
Sem mais sentir medo, dor, ou lamento,
Entrego meu amor, meu respeito e minha fé,
Em servidão livre, consciente e doce ao Senhor Javé.

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Uma oração simples


Pai Amantíssimo,

Que a simplicidade reine soberana em minha alma todos os dias da minha vida.

Possuo um corpo complexo, que construiu uma personalidade complexa, e a inseriu em uma sociedade complexa. Em meio a tanta complexidade, que ao menos meu coração permaneça simples, ansiando pelo contentamento infantil diante da vida, desejando apenas Ser, amando simplesmente.

Que eu continue preferindo os pés descalços na grama aos saltos altos exigidos no mundo jurídico. Que a companhia dos meus sobrinhos seja sempre meu balsámo, meu refúgio, e que eles continuem a me ver como a adulta mais criança que conhecem, pois assim, sem saber, me abençoam ao dividir comigo a maneira simples com que enxergam o mundo.

Que eu continue a perdoar, a esquecer o que me machucou, a amar a quem me feriu. Que eu nunca ceda à vingança ou ao rancor, nem nunca me sinta vítima do mundo a minha volta. Antes, que eu enxergue que a minha vida como está é reflexo do que É o meu mundo interior, e assuma a responsabilidade das minhas escolhas, sendo elas certas ou não.

Que eu nunca me sinta só, mas se em algum momento a solidão me tocar que ela venha como uma amiga, a me ensinar mais sobre mim mesma e sobre o que devo fazer para ser uma pessoa melhor.

Que eu não me deixe levar por pensamentos ruins, nem dê atenção ao mal do mundo ou das pessoas, mas que enxergue o melhor de cada um e o bem de cada situação dolorosa.

Que as dificuldades da vida não me corrompam, nem tomem de mim meus princípios, valores e objetivos. Que eu não me apegue aos meus desejos, nem sofra ao não ter atendidas as minhas expectativas.

Pai,

Mas se for necessário sofrer, que eu aprenda com a dor;
Se for necessário que eu perca, que eu não desista da luta;
Se for necessário que eu fique só, que a solidão não se instale em meu coração.

Ensina-me a ver a Luz do meu próprio Ser, a me recordar apenas do que me enaltece, a aprender sempre, a crescer sempre, a amar sempre...

E sempre de uma maneira simples, com a beleza de uma criança que brinca em uma piscina num dia quente de verão, com a simplicidade infantil que nada pede em troca do sorriso de cada dia.

Que eu apenas seja, e só...

Amém!!!

sábado, 1 de janeiro de 2011

Recordações...


Esfregava as mãos para tirar o excesso de terra. Sentia os grãos passarem por sua pele e, se pudesse colocar em palavras o que sentia, descreveria a essência de cada fragmento daquele solo. O vento passava-lhe pelos cabelos já grisalhos. O tempo batia a sua porta. O corpo já se cansava com mais facilidade, os reflexos já não eram os mesmos e nem os movimentos eram feitos com a mesma agilidade. Em compensação, havia aprendido a contemplar as coisas a sua volta com mais sabedoria. Em cada pessoa descobria um mundo de infinitas possibilidades. Em cada árvore, em cada animal de sua fazenda via uma essência divina que acalentava sua alma. Ao arar a terra sentia Deus na palma de suas mãos e quando apertava os grãos do solo contra sua pele sentia ter em si o zelo amoroso do criador para com a criatura, e sentia-se ao mesmo tempo esses dois personagens da história: era o Criador ainda em estado latente, tinha em si o desejo de criar, de modelar, de dar vida; e era a criatura servil e grata, que cuidava do lar que lhe foi concedido com todo o amor que sentia em suas veias.

Ao fim do dia, tudo ficava ainda mais belo. Ele voltava para casa devagar. Gostava de caminhar ao lado de seu cavalo, compartilhando com ele aquele momento, reconhecendo no animal um grande companheiro naquela jornada. O sol ia se recolhendo aos poucos, diminuindo a força de seus raios. Com a mesma leveza, as flores intensificavam seus cheiros, alguns animais despertavam para seu turno e o vento esfriava devagarzinho como se querendo apaziguar os movimentos, embalando o sono de todos os seres. Ele gostava especialmente deste momento do dia. O fim de mais um expediente nesta vida, o recolhimento silencioso da existência terrena. Nessas horas podia olhar de frente para o sol, a estrela de grandeza assustadora. Sentia a luz acariciar-lhe a pele como se fizesse uma limpeza em seu espírito. Ele abria seu coração e deixava-se invadir pela energia do fim do dia. Essa era sua oração, essa era a sua comunhão com Deus. Seus passos seguiam sutis, como o findar dos dias, e as palavras que escrevia nasciam inebriadas por toda sua contemplação.

E, todos os dias, antes de também se recolher, ao colocar sua cabeça no travesseiro, em sua confortável cama, em sua bela casa, pensava em todos os seus semelhantes encolhidos em suas taperas desconfortáveis e frias, mas que conseguiam perceber, assim como ele, a presença de Deus nas coisas mais simples. Olhava para a sua esposa ao lado, ainda bela, apesar de tocada pelo passar dos anos: ela tinha a sua disposição todo o tempo livre e todas as circunstâncias para que se dedicasse a sentir o divino, mas estava absolutamente imersa nos desejos do “ter”, consumida pelo que lhe faltava e ocupada com os pensamentos mundanos do consumismo. Como ele queria que ela sentisse aquela paz, que sentisse o abraço de Deus nas pequenas coisas, nas pessoas a sua volta, em tudo o que esse belo planeta azul nos oferecia. Mas ele não podia lhe ensinar. Podia apenas beijar-lhe carinhosamente a testa para lhe transmitir um pouco de todo amor que sentia: amor simplesmente, um amor desapegado de todos os objetos, de todos os desejos, um amor que não exigia dela nada além de sua existência.

Agradecia a Deus, e sentia o divino pulsar em seu coração. Entregava-se ao sono, embalado pela energia da noite, para que seu corpo já velho e cansado se recuperasse para o dia seguinte, quando continuaria a servir a Deus servindo a seus semelhantes, contemplaria a Deus contemplando o planeta, oraria a Deus reverenciando o findar de mais um dia, e honraria a Deus inebriando suas palavras com o mais puro amor que brotava de seu ser, e deixaria essas sementes para a humanidade para que, quem sabe um dia, alguém as conseguisse cultivar.