segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Desempenhando papéis, por Camila Nunes


Vemos a cada dia aumentar a busca pelo autodescobrimento. Mais e mais pessoas no mundo voltam a sua atenção para dentro numa frenética e constante inclinação, advinda não se sabe ao certo de onde, mas que as impelem a questionarem sobre a sua própria origem, sobre o porquê de estarem aqui e para onde se irá quando for chegado o momento. Nas ruas inúmeros cartazes alertam para o retorno do Mestre, notadamente os de conteúdo protestante; arquivos oficias outrora secretos, agora nos são revelados por variados governos no mundo; há pouco, o Vaticano declarou através de seu canal oficial a existência de vida extraterrestre. Os fatos são tantos e inéditos que num passado próximo não se vislumbrariam tais ocorrências senão em sonhos. E tudo ocorre com uma velocidade inacreditável.
Ditos fatos e muitos outros, dizem a Espiritualidade, sinalizam apenas o fim de uma era e o começo de outra. Há mais de 5 mil anos os toltecas já previam essa inclinação da humanidade para a busca da espiritualidade, registrando suas observações no calendário astronômico, posteriormente denominado de calendário maia, um legado daquela civilização para esta que se imortalizou nas areias do tempo.
Mas o que é ser alguém espiritualizado? E o que é ser alguém espiritualista?
Parecem perguntas difíceis, mas não são.
Há inúmeros conceitos arraigados no consciente coletivo que levam a distinguir alguém espiritualizado de outrem que não seja tanto ou que não seja de jeito nenhum. Um deles é alguém se comportar de maneira mansa, tranqüila, não beber, não fumar, não sair...levar uma vida de renúncias e abnegações por vezes vividas de forma prazerosa, por vezes tortuosas, mas aparentemente praticadas.
E vão rotulando essa ou aquela pessoa com o status de iluminado e visualiza-se em torno dessa figura uma auréola daquelas concedidas aos santos.
Criam e recriam parâmetros com base em referências terrenas e se satisfazem com elas. Passam pela existência como se uma vida imaculada tivessem vivido e não se atentam para as possíveis surpresas que advém quando se descobre que se viveu uma vida que não era a sua própria. Quão grande sofrimento é dar-se conta de que a vergonha de ter sido quem era, impediu de acender a luz que passou a vida inteira acreditando ter despertado ou tentando fazê-lo.
Muitos são os que fogem de sua realidade interior. Poucos são os que assumem o que vêm e não buscam esconder-se dos outros.
Esta não é uma carta aberta ao mal, à prática desenfreada de nossas tendências e inclinações. É um alerta a necessidade imperiosa de percebê-las, compreendê-las, e permiti-las ou não, conforme o caminho que o ser decidir trilhar.
Para se reformar uma casa é necessário conhecer a sua estrutura, os pontos de fragilidade, aqueles que podem ser mexidos sem comprometer as demais, e traçar um plano. Por onde começar a reforma, o que se vai reformar, se ela toda ou parte dela, os materiais a serem empregados, quanto se irá gastar e o tempo necessário à consecução da obra.
Da mesma forma se processa a reforma em nosso interior. Cada tendência deve ser criteriosamente analisada a fim de se perceber a necessidade de mantê-la ou substituí-la. Os pontos principais também devem ser escolhidos como tais. O exercício da tolerância, a aceitação e a paciência com aquilo que ainda não pode ser alterado, seja por razões de apego, maturidade, ou simplesmente por uma questão de prioridade, têm importância primordial neste processo.
As pessoas querem reformar-se de vez e não dão conta que o processo é lento. Exigem mudanças bruscas e não aceitam mais certas tendências que passaram milhares de anos a cultivarem carinhosamente pela repetição de hábitos em seu interior, exigindo de maneira violenta a sua retirada imediata.
E assim vão vivendo desempenhando papéis; de mãe, de pai, de irmão, de amigo, de filho, de alguém espiritualizado ou em vias de sê-lo, enfim. Inúmeros são os papéis e vários são os cenários para representá-los, todavia, esquecem-se de representar o papel mais importante na história pessoal de cada um, o de ser o SER cujo papel assume ou, utilizando o trocadilho, assumir o ser por trás do personagem representado.
Pare e escute o silêncio que dele emana. Sinta a sua voz expressa no silêncio que há por trás de tudo que você conhece ou pensa saber. Você é alguém que a sua própria consciência desconhece. O seu maior papel é descobrir-se atrás dos bastidores de sua peça teatral. Olhá-lo de frente e reconhecê-lo por inteiro; aceitar e amar o espectro que surge, opaco e encolhido de tanto ser escondido.
Descobrir-se é o primeiro passo para alguém que busca o caminho da iluminação. Este talvez seja o papel mais difícil de ser encenado; também o mais glorioso, eis que conduz ao regozijo perene semelhante ao que sente o descobridor de um grande tesouro.
Mostrar-se sem receio de julgamentos. Assumir-se como individualidade em construção. Reconhecer as virtudes e expressá-las; olhar para as virtudes ainda não conquistadas e esforçar-se por adquiri-las. Não temer em expressar-se; primeiro passo da escalada da melhora íntima.
Não há como Espiritualizar-se violentando a si mesmo com mudanças bruscas de hábito impostas meramente por ordenações partidas do cérebro físico. Informação e consciência são coisas completamente diversas. De nada adianta a renúncia se ela violenta ao renunciante. As mudanças devem partir de uma sugestão amorosa advinda da consciência e não de uma mera tentativa cerebral em se adequar a parâmetros considerados corretos. Isto vale para todos os níveis. Há que se ter prudência e imposição de limites, mas sobretudo discernimento e autoamor suficientes para se saber até onde vai este “limite”.
A cada tentativa verifica-se que o “limite” expande-se. E quando menos se espera o corpo está pronto para a prática dos anseios da alma.
Olhem para dentro enquanto vivem e dêm passos suportáveis às suas próprias pernas. No entanto, exercitem-se diariamente para que estas pernas adquiram cada vez mais resistência a fim de que em breve possam não só darem grandes passos, mas pularem em direção ao despertar da consciência.

sexta-feira, 17 de junho de 2011

Enfermidades.




“Ninguém poderá dizer que toda enfermidade, a rigor, esteja vinculada aos processos de elaboração da vida mental, mas todos podemos garantir que os processos de elaboração da vida mental guardam positiva influenciação sobre todas as doenças.

Há moléstias que têm, sem dúvida, função preponderante nos serviços de purificação do espírito, surgindo com a criatura no berço ou seguindo-a, por anos a fio, na direção do túmulo.

As inibições congeniais, as mutilações imprevistas e as enfermidades dificilmente curáveis catalogam-se, indiscutivelmente, na tabela das provações necessárias, como certos medicamentos imprescindíveis figuram na ficha de socorro ao doente; contudo, os sintomas patológicos na experiência comum, em maioria esmagadora, decorrem dos reflexos infelizes da mente sobre o veículo de nossas manifestações, operando desajustes nos implementos que o compõem.

Toda emoção violenta sobre o corpo é semelhante a martelada forte sobre a engrenagem de máquina sensível, e toda aflição amimalhada é como ferrugem destruidora, prejudicando-lhe o funcionamento.

Sabe hoje a medicina que toda tensão mental acarreta distúrbios de importância no corpo físico.
Estabelecido o conflito espiritual, quase sempre as glândulas salivares paralisam as suas secreções, e o estômago, entrando em espasmo, nega-se à produção de ácido clorídrico, provocando perturbações digestivas a se expressarem na chamada colite mucosa. Atingido esse fenômeno primário que, muita vez, abre a porta a temíveis calamidades orgânicas, os desajustamentos gastrointestinais repetidos acabam arruinando os processos da nutrição que interessam o estímulo nervoso, determinando variados sintomas, desde a mais leve irritação da membrana gástrica até a loucura de abordagem complexa.

O pensamento sombrio adoece o corpo são e agrava os males do corpo enfermo.

Se não é aconselhável envenenar o aparelho fisiológico pela ingestão de substâncias que o aprisionem ao vício, é imperioso evitar os desregramentos da alma que lhe impõem desequilíbrios aviltantes, quais sejam aqueles hauridos nas decepções e nos dissabores que adotamos por flagelo constante do campo íntimo.

Cultivar melindres e desgostos, irritação e mágoa é o mesmo que semear espinheiros magnéticos e adubá-los no solo emotivo de nossa existência, é intoxicar, por conta própria, a tessitura da vestimenta corpórea, estragando os centros de nossa vida profunda e arrasando, consequentemente, sangue e nervos, glândulas e vísceras do corpo que a Divina Providência nos concede entre os homens, com vistas ao desenvolvimento de nossas faculdades para a Vida Eterna.

Guardemos, assim, compreensão e paciência, bondade infatigável e tolerância construtiva em todos os passos da senda, porque somente ao preço de nossa incessante renovação mental para o bem, com o apoio do estudo nobre e do serviço constante, é que superaremos o domínio da enfermidade, aproveitando os dons do Senhor e evitando os reflexos letais que se fazem acompanhar do suicídio indireto.”

(Francisco Cândido Xavier/Emmanuel - do livro, Pensamento e Vida)

quarta-feira, 15 de junho de 2011

Agradecimento e reflexões.


Queria, de coração, agradecer a todos os meus amigos e familiares pela ajuda, carinho e compreensão nos momentos difíceis que passei nos últimos dias. Tem um provérbio que diz: "Mais valem as atitudes, porque palavras o vento leva". Todo vocês tiveram para comigo pequenas atitudes, gestos sutis, que demonstraram que posso contar com vocês. Às vezes temos a pretensão de pensar que podemos seguir sozinhos e independentes, mas os problemas físicos nos mostram o que significa de fato que TODOS SOMOS UM. Olhar para dentro de si é muito diferente que olhar apenas para si. Olhar para dentro de si é enxergar o outro em você, e enxergar-se dentro do outro. É isso que faz com que estejamos juntos de fato!!! Agradeço a Deus por perceber e sentir isso em todos vocês. Agradeço pelos telefonemas, mesmo os rápidos apenas para saber notícias; pelas mensagens no facebook e orkut; pelos emails, pelos SMS no celular, pelas visitas, pelas orações e vibrações pelo meu restabelecimento físico.

Obrigada especialmente a minha família!!! A Déia, que dormiu comigo no hospital e tem cuidado da minha cirurgia, a Nana que se desdobrou entre os filhos, o trabalho e a casa, mas mesmo assim esteve comigo em todos os momentos perdendo noites por minha causa, a minha mãe, Vera, que cuidou de mim com tanto amor e se preocupou tanto, a meu pai que ficou em casa preocupado e meio sem saber como ajudar, a Vilma que mesmo tendo saída cansada depois de um plantão de 24 horas passou a manhã comigo no hospital, a Marcelo que ficava pra lá e pra cá preocupado, e que me olhou com tanto amor no corredor do hospital que me fez ter certeza de que tudo ia ficar bem, a Tuca que ficou até às 3 horas da manhã esperando que eu saísse da cirurgia com vida, orando por mim, a meus sobrinhos lindos, Ariel, Matheus e Bia, que me ligavam e me olhavam dizendo: "Tia, não faz isso com a gente.". Amo vocês!!! Não poderia pensar em família melhor para ter, em pessoas melhores para me ensinar a viver, para estar comigo dividindo essa vida inteira. Obrigada, obrigada, obrigada!!!

Obrigadas as minhas primas, principalmente a Vanessa, Camila, Larissa e Eliane, pelos telefonemas e risadas que me fizeram dar, mesmo sem que eu pudesse rir. A meu primo, Flávio, que foi tão lindo e tão maravilhoso ao se oferecer pra participar da vaquinha pra pagar a cirurgia. A minha avó linda, Maria, que me ligou chorando todos os dias, e que agora está também se recuperando de uma cirurgia na perna. A meu tio Armindinho, tia Sônia e tia Zarinha e meu primo Eduardo pelas palavras de amor, a meu tio Zilmar, que amo demais, que ligou e me ajudou a pagar a conta do hospital.

A meus amigos queridos, que mandaram mensagens pela net, ou pelo celular, querendo saber como eu estava. Principalmente a Jane por ter estado no hospital comigo, mesmo no dia em que fiquei internada pelo SUS, tendo ela que entrar escondido no hospital pra me ver...rsrs. A Camila e Matheus pelas visitas e pelo Dannete...rsrs. A Gilberto, Abdinak e Sandra, Bel, Deyzi, Jean, Rosana,Vanessa, Indira, Karla, Daniela, Kaíke, Celene, Hélzio, ao pessoal do grupo Sai Baba de Salvador, ao pessoal da igreja batista que orou por mim, ao pessoal do Caminheiros da Esperança também.

Obrigada aos que estavam de longe, ligando e me dando força, me falando palavras de encorajamento. Richard, Mel, Jeane, Giane: vocês não tem idéia do quanto me ajudaram nesses dias de dor.

Obrigada principalmente a Dr. Tainã, que fez minha cirurgia com muita competência e humanidade e demonstrou ser, por toda a ajuda que me deu no pós cirurgia, não só um ótimo profissional mas um grande ser humano.

Obrigada também aos que não ligaram, mas pensaram em mim.

Agradeço a Deus por todo o aprendizado, por toda a transformação que esse momento me traz e por estar cercada de tanto amor e amizade.

Cada um de nós é um barquinho neste oceano cósmico, mas é também uma gota d'água. Para velejar em segurança e chegar a nosso destino, temos que direcionar o barco, cuidar dele, fazer a devida manutenção, mas necessitamos das gotas d'água porque são elas que nos levam ao porto seguro, apenas através delas podemos velejar. Obrigada a todas as gotas d'águas da minha vida por me ajudarem a cuidar do meu barco.

Amor, amor e amor...sempre!!!

domingo, 12 de junho de 2011

Considerações sobre o Amor...


Sempre pensamos no amor sob a perspectiva do amor romântico. Todas as múiscas, poesias e textos a respeito do tema são sempre interpretadas como sendo a respeito de um amor que se dirige a alguém específico. Mas hoje, estive pensando que há certas definições que são infinamente mais amplas que o simples amor humano, sempre limitado e dirigido a algo fora de nós.

Hoje quero falar de um Amor Iincondicional, que simplesmente É e ponto final. Um amor que não depende de objeto externo porque é em si mesmo todos os objetos que possam existir. Um amor que nada pede em troca, que nada espera, que de nada precisa. Um amor que circula, que soma, que abranje. O Amor que faz nascer em nós o respeito pelo outro, a cumplicidade com os problemas alheios, a compreensão das limitações de quem está a nosso lado.

Um Amor que não tenta moldar o outro a sua vontade, mas que se adapta às vontades alheias. É o amor simples, que faz com que as crianças amem mesmo aqueles que lhes chamam a atenção com severidade, que acalenta em silêncio principalmente aqueles que não são capazes de ouvir.

Este é o Amor descrito por Paulo em Coríntios 13, por Camões em sua poesia sobre o tema e parafraseado tão brilhantemente por Renato Russo na música Monte Castelo. Senti vontade de escutar novamente essa música hoje e percebi como até então o meu entendimento dela era limitado. Esses autores falavam de um amor muito maior, um sentimento acima da língua dos homens e dos anjos, sem o qual nada somos.

Um Amor que conhece a Verdade; que dói, mas não se sente; um "não querer" maior que o "bem querer", um andar solitário entre a gente, um cuidar que se ganha em se perder. É um Amor que faz com que nos prendamos por vontade própria, pelo uso de nosso livre arbítrio; que nos leva a servir apenas e sempre e nos encaixa na definição de Jesus Cristo que já dizia: "O maior entre vós será vosso servo". Esse sentimento nos faz ir ter até com quem nos mata a lealdade, chegando a ser contrario a si mesmo.

Não...não se trata do amor romântico, que tão fortemente nos prende e subjulga, cuja dor sentimos fundo (e que o diga quem já sofreu por "amor").Trata-se daquilo que faz com que ofereçamos a outra face, que amemos nossos inimigos, que façamos ao outro o que desejamos que façam a nós mesmos. É simples, porém ainda difícil ser vivenciado por nós.

Mas há os que entederam esse amor e escreveram sobre ele. Estes estiveram, nem que por apenas alguns instantes, acordados enquanto todos dormiam. Ainda vemos as coisas em partes, enxergamos pedaços de nossa própria história, de nossa própria essência, mas um dia veremos "face a face", estaremos diante do que É e tudo estará claro. Perceberemos, finalmente, o ensinamento simples de que só o Amor conhece o que é verdade e que sem Ele nada somos.

Neste dia, poderemos amar sem sentir dor, amar sem esperar nada em troca, amar por descobrir a óbvia constatação de que todos somos um, que estamos no mesmo barco e que andamos por caminhos diferentes rumo a um destino comum: o amor incondiconal e a arte de sua aplicação neste mundo onde ainda se necessita de um objeto "perfeito" para ser amado.

Abaixo a letra da música em que Renato Russo parafraseia Camões e o apóstolo Paulo e o link para o vídeo no youtube. Que todos possam reescutar essa música e repensar essa letra sobre uma perspectiva mais ampla. A todos uma belíssima semana. Fiquem com Deus e com muito amor em seus corações!!!

"Ainda que eu falasse a língua dos homens

E falasse a língua dos anjos,

Sem Amor eu nada seria.

É só o Amor, é só o Amor que conhece o que é verdade.

O Amor é bom, não quer o mal, não sente inveja ou se envaidece.

O Amor é o fogo que arde sem se ver;

É ferida que dói e não se sente;

É um contentamento descontente;

É dor que desatina sem doer.

É um não querer mais que bem querer;

É um solitário andar por entre a gente;

É um não contentar-se de contente;

É cuidar que se ganha em se perder.

É estar-se preso por vontade;

É servir a quem vence, o vencedor;

É um ter com quem nos mata a lealdade.

Tão contrário a si é o mesmo Amor.

Estou acordado e todos dormem. todos dormem. todos dormem...

Agora vejo em parte,

Mas então veremos face a face.

É só o Amor, é só o Amor

Que conhece o que é verdade.

Ainda que eu falasse a língua dos homens

E falasse a língua dos anjos,

Sem Amor eu nada seria."


Monte Castelo - Legião Urbana - Link do vídeo no youtube


quarta-feira, 4 de maio de 2011

Oração


Pai,


Traga Seu Amor a meu coração e deixarei que ele se manifeste com simplicidade.

Sinto Seu abraço quando o vento roça meu rosto,

Toco Suas mãos quando meus dedos acariciam a grama verde,

Sinto Seu cheiro quando a água da chuva molha a terra,

Ou quando o fim de tarde realça o cheiro das flores.

Vejo Seu sorriso quando o sol se põe,

Enxergo Seus olhos quando o dia nasce,

Ouço Sua voz nas risadas das crianças,

No canto harmonioso dos pássaros,

No ruído forte do trovão.

Sinto Seu toque ao andar descalça na grama,

Ao acarinhar gatos e cachorros,

Ao enxergar os ipês floridos e os desenhos nas nuvens.

Sinto-Lhe nas coisas pequenas, sutis e silenciosas,

Mas também nas grandes e assustadoras.

Percebo o Seu amor que a tudo sustenta,

A Sua força que aos medos cala.

Escuto Sua música, danço em Sua harmonia

E é nisso que reside a minha felicidade.

Tão intensas são as distrações, tão grandes os desafios,

Mas entrego meu medo em Suas mãos e peço-Lhe que o transforme em luz.

Que eu pule, enfim, no oceano do Seu amor que se abre dentro de mim,

Que assuma a responsabilidade de ser parte de Seus sonhos

E instrumento de Sua sinfonia.

É chegado o momento final da batalha nas profundezas da alma,

E é a eternidade que se apresenta para, finalmente, executar a rendição do ego.

Uma morte, um renascer.

Procurei pela felicidade inutilmente através dos meus sentidos

E só agora percebo que ela esteve todo o tempo aqui,

Dentro de mim,

Expectadora, quieta,

A esperar pelo momento em que eu parasse de buscar, para simplesmente encontrar.

É simples, enfim!

Como andar descalço na grama,

Como sentir o cheiro da chuva,

Como ser acariciada pelo vento,

Como a espontaneidade dos sorrisos infantis.

É apenas o Seu amor em mim,


E apenas assim é que sei o que EU SOU.

domingo, 24 de abril de 2011

Sobre a morte de Sathya Sai Baba


Deixou o corpo hoje, Sathya Sai Baba e sinto uma imensa vontade de discorrer um pouco sobre isso e peço-lhes que leiam com amor no coração.
Considerando que cada vida é apenas um capítulo do longo livro de nossas existências, encerrou-se, na existência divina de Sai Baba, mais um capítulo repleto de luz, amor e serviço à humanidade. Minha mente humana e limitada não deixa de sentir essa perda, apesar de saber, conscientemente, que não houve nenhuma perda de fato. Sinto não poder explicar para as pessoas a minha volta o que significa para mim ter conhecido Sai Baba. Sim, ele fazia milagres, realizava curas, materializava objetos e muitas outras coisas fantásticas. Nunca duvidei disso, aliás, sei que todos esses milagres são hoje em dia já explicados cientificamente pela física quântica, portanto, não foram essas coisas que fizeram com que eu me aproximasse dele. Mágicas, milagres, fenômenos físicos...nada disso nunca me chamou a atenção.
O único milagre que me importa de fato é a transformação pessoal, a melhora íntima, a expansão da consciência, e estes Sai Baba tem me ajudado a realizar. Nunca estive em sua presença física, nunca toquei-lhe as mãos e os pés, nunca recebi nada por ele materializado, mas ele com certeza tocou meu coração e para mim isso é tudo o que importa.
Ele me ensinou a amar, a compreender as pessoas a minha volta, a sentir, na pele e concretamente que todos somos UM e que temos a responsabilidade de ter em nosso íntimo a essência divina que nos impulsiona a agir sempre em consonância com valores humanos, e assim sendo, devemos buscar por essa consciência dentro de nós mesmos e viver nossa vida em conformidade com ela. 
Ele me mostrou o sentido da minha vida, o porquê de eu estar aqui e a razão de eu pensar como penso e sentir como sinto. Guiou-me à experimentação do que há de mais fantástico nesse universo: a sensação da Unidade, que, através de minha conexão com ele, consegui sentir algumas vezes. Depois que conheci Sathya Sai Baba, nunca mais me senti desamparada, nunca mais me senti caminhando sozinha, nem pensei que eu  falava uma língua diferente de todos a minha volta. 
Uma vez me perguntaram, em tom de indignação, se eu estava adorando Sai Baba. Hoje sinto-me impelida a responder: não, eu não o adoro. Eu o AMO, e isso é completamente diferente. Meu sentimento por esse ser fantástico nada tem a ver com fanatismo, crença, religiosidade ou dogmatismo. É apenas um amor tão simples e tão puro que não se pode explicar. Sou grata pelo que ele me ensina, todos os dias, através da minha voz interior. Sou grata por seus 85 anos de serviço à humanidade, pelos hospitais, universidades, escolas de música, projetos de saneamento básico e por tudo o mais que fez a seu semelhante.
Eu o amo por ele nos ensinar que temos em nós a essência divina e que, antes de mais nada, temos que buscar por ela. Amo por ele dizer que a melhor forma de servir a Deus é servir ao próximo e por demonstrar com seu próprio exemplo que todos somos um só e que, portanto, amar e servir a todos é um dever. Amo por ele ter criado o programa de educação em valores humanos, através do qual tantas crianças estão sendo ensinadas a ser gente, a ser pessoas de caráter íntegro antes mesmo de serem profissionais brilhantes.
Minha experiência com Sai Baba se deu em meu mundo interno, e a realidade interior é a única condutora de meus passos. Tudo o que ele me deu, tudo o que em mim floresceu desde que ele me chamou no meio da noite é tão belo, tão sutil, tão suave e tão amoroso, que guardo aqui dentro, num lugar do meu coração onde as palavras e a racionalidade não encontram respaldo. Realmente não me importa se ele faleceu antes do que tinha dito que faleceria, ou se fulano e ciclano falam mal dele, ou se existem teorias e mais teorias que o acusam de ser uma farsa. São apenas tolices do mundo externo levadas a sério apenas pelos que não conseguiram ainda tocar o mundo do Ser, onde residem esses seres que vão muito além do nosso limitado entendimento.
Toda a ideologia, tudo o que ele me ensinou, tudo isso permanece, nada disso se perde. Só sinto por não termos mais fisicamente entre nós um ser humano verdadeiro, consciente, que tanto colaborou e tanto lutou pelo bem de todos, que tanto nos mostrou que é através do exemplo verdadeiro que ensinamos e que o mundo externo pode ser melhorado com a cura de nosso mundo interno. Sinto por ainda ver que as pessoas preocupam-se mais com a forma física dele do que com sua mensagem e que a maioria ainda não tem noção do quanto significa para toda a humanidade tudo o que ele disse. Ele nunca quis angariar devotos, nunca quis ser adorado. Só queria nos ensinar a amar. Sobre seus milagres ele dizia: “Eu lhes dou o que vocês querem para que, um dia, vocês queiram o que eu vim lhes dar”.
Espero que queiramos o que ele veio nos dar, que aprendamos finalmente a amar, a respeitar o outro, a servir a humanidade através de nosso próprio exemplo; que melhoremos as pessoas melhorando nosso próprio coração. Sathya Sai Baba, que mais que meu mestre pessoal, é o amor da minha vida, deixou o corpo físico, mas não nos deixou. Continuará nos inspirando a tomar posse de nossa identidade divina e a agir em conformidade com isso. Temos em nosso íntimo um pedaço de Deus, como já nos dizia Jesus Cristo quando ensinava que o reino de Deus está dentro de nós; e se Deus nada faz além de amar e servir, nós também devemos agir assim.
A vida aqui nesse plano continua e temos muito trabalho a fazer. Desejo, de coração, que todos aqueles que se preocupam com a aparência física de Sai Baba, ou os que passaram a tê-lo em baixa conta devido à antecipação de sua morte, ou mesmo os que continuarão a se preocupar apenas com fenômenos físicos que parem para refletir por ao menos alguns minutos sobre a mensagem que ele deixou, sobre o trabalho concreto ao próximo, sobre o que ensinava a seus devotos. E que todos nós deixemos um pouco de nos preocupar com os milagres que ele fazia e passemos a nos ocupar de praticar a filosofia de amor de que ele tanto falava. Que aprendamos, de fato, a cuidar de nossa parte divina.
Obrigada, Swami, por estar sempre comigo e por me mostrar que a humanidade ainda pode aprender a amar, desde que todos façamos a nossa parte. Sempre juntos!!!
Com amor,
Denise da Mata.

Vídeo Team Player, feito por um aluno em comemoração ao aniversário de Sai Baba. Clique aqui.

quinta-feira, 21 de abril de 2011

Iluminar e só...


Iluminar para sempre
Iluminar tudo
Até os últimos dias da eternidade
Iluminar e só:
Eis o meu lema
E o do sol.

Vídeo - Clique aqui

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Pergunta a Sathya Sai Baba


Pergunta de um devoto a Sai Baba: "Qual é o grande fator que nos impede de ver a verdade da vida claramente?"

Sai Baba: "Tempo, trabalho, motivação e experiência: esses quatro juntos, em harmonia, são a Verdade. Quando os quatro são encontrados sem harmonia, vocês sentem que há algo falso."

Devoto: "Mas a verdade, em termos de trabalho, tempo, motivação e experiência..., olhando-se em redor, notam-se essas coisas operando, e o mundo está numa confusão muito grande. Assim sendo, deve existir algo além disso."

Sai Baba: "Quando você não tem fé absoluta no resultado, então a dúvida surge. Um exemplo: agora é dia e os objetos na sala são vistos claramente e não há dúvidas a respeito deles. À noite, quando está completamente escuro e você tem que andar tateando e não vê nenhum dos objetos, não há dúvida a respeito da situação. Mas ao cair da noite, quando há meia-luz e meia-treva, a dúvida pode surgir e você, ao ver uma corda, pode imaginar que ela é uma cobra e sentir medo.

A luz não é total e a visão não é clara. A luz plena é sabedoria e a completa escuridão é ignorância. A dúvida aparece quando há metade escuridão e metade sabedoria. A meia-luz é sabedoria e a meia-treva é ignirância. Ignorância e sabedoria: quando ocorrem juntas e metade-metade, há dúvida. Agora você está no estado intermediário, no qual tem um pouquinho de sabedoria e também alguma ignorância, onde a ignorância e a sabedoria estão misturadas. Você não é totalmente experiente. Quando tiver a experiência apropriada, a dúvida desaparecerá. Como você não tem experiância, está sentindo essa dúvida.

Um pequeno exemplo: sofrendo de malária, você come um doce, mas sente que ele tem um sabor amargo. O doce não é amargo, mas, na sua experiência, ele é amargo. Não é culpa do doce. A ignorância também é uma doença, como a malária. E a cura para esta doença da ignorância é Sadhana (o caminho interior). O homem tem dúvida somente enquanto ele não conhece a verdade. Quando você vivenciar a verdade, a dúvida desaparecerá. A verdade é única e eterna. Tudo o que muda, saiba que é inverdade.

Você foi pequeno e cresceu. Isso também é inverdade. Onde está o corpo do menino de dez anos? Tudo se juntou no presente corpo. Primeiro, inverdade; depois, quando temos a experiência, conhecemos a verdade. Luz e trevas não são diferentes, são apenas um. Exemplo: na noite passada você comeu uma fruta, de manhã ela se transformou em excremento e você a eliminou. Era fruta ontem, mas o bom e o mau são a mesma coisa, uma só. De uma forma era fruta, de outra forma era excremento.

O mesmo se passa com a luz e as trevas. Quando a luz vem, as trevas vão. Mas, na verdade, as trevas não vão a parte alguma e nem a luz vai a parte alguma. Quando uma surge, a outra é ignorada, ela não vai a parte alguma."


Do livro "Conversações com Sai Baba", de J. S. Hislop.

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Querer, saber e amar


Você poderá vir a ser o que quiser, mas é necessário, além de querer, saber e fazer. Todo o poder da alma resume-se em três palavras: querer, saber e amar. Não basta crer e saber, é necesssário viver nossa crença, isto é, fazer penetrar na prática diária da vida os princípios superiores que adotamos.

Querer, isto é, fazer convergir toda a atividade, toda a energia, para o alvo que se tem de atingir, desenvolver a vontade e aprender a dirigí-la.

Saber, porque sem o estudo profundo, sem o conhecimento das coisas e das leis, o pensamento e a vontade podem transviar-se no meio das forças que procuram conquistar e dos elementos a quem aspiram governar.

Acima, porém, de tudo, é preciso amar, porque sem o amor a vontade e a ciência seriam incompletas e muitas vezes estéreis. O amor ilumina-as, fecunda-as, centuplica-lhes os recursos. Não se trata aqui do amor que contemplam sem agir, mas do que se aplica a espalhar o bem e a verdade pelo mundo.

Não há progresso possível sem observação atenta de nós mesmos. É necessário vigiar todos os nossos atos impulsivos para chegarmos a saber em que sentido devemos dirigir nossos esforços para nos aperfeiçoarmos.

Primeiramente, regular a vida física, reduzir as exigências materiais ao necessário, a fim de garantir a saúde do corpo, instrumento indispensável para o desempenho de nosso papel terrestre.

Depois disciplinar as impressões, as emoções, exercitando-nos em dominá-las, em utilizá-las como agentes de nosso aperfeiçoamento moral; aprender principalmente a esquecer, a fazer o sacrifício do "eu", a desprender-nos de todo o sentimento de egoísmo.

Não há assunto mais importante que o estudo do pensamento, seus poderes e ação. É a causa inicial de nossa elevação ou de nosso rebaixamento; prepara todas as descobertas da Ciência, todas as maravilhas da Arte.

Em qualquer campo das atividades sociais, em todos os domínios do mundo visível ou invisível, a ação do pensamento é soberana; não é menor sua ação, repetimos, em nós mesmos, modificando constantemente nossa natureza íntima. As vibrações de nossos pensamentos, de nossas palavras, renovando-se em sentido uniforme, expulsam de nosso invólucro os elementos que não podem vibrar em harmonia com elas; atraem elementos similares que acentuam as tendências do ser.

Se meditarmos em assuntos elevados, na sabedoria, no dever, no sacrifício, nosso ser impregna-se, pouco a pouco, das qualidades de nosso pensamento. É por isso que a prece improvisada, ardente, o impulso da alma para as potências infinitas, tem tanta virtude. Nesse diálogo solene do ser com sua causa, o influxo do Alto invade-nos e desperta sentidos novos.

Poucos homens sabem viver próprio pensamento, beber nas fontes profundas, nesse grande reservatório de inspiração que cada um traz consigo, mas que a maior parte ignora. Por isso criam um invólucro povoado das mais disparadas formas. Seu espírito é como uma habitação franca a todos os que passam. Os raios do bem e as sombras do mal lá se confundem, num caos perpétuo.

Léon Denis - do livro "O problema do ser, do destino e da dor".

domingo, 30 de janeiro de 2011

Sobre o apego a velhas idéias


"...Nos tempos antigos, havia o pensamento comum de que a Terra era plana e que qualquer um que se aventurasse muito longe, em qualquer direção, provavelmente se perderia no espaço. Quando métodos mais acurados para determinar a forma do planeta foram descobertos, mostrando que ele era esférico, e não plano, as pessoas continuaram a se agarrar à antiga crença, a despeito das novas evidências ao contrário, e perseguiram os que apresentaram a nova idéia.

Muitas guerras foram travadas entre os que mantinham diferentes crenças ou idéias, ambos os lados igualmente determinados a provar que sua crença era a correta. Em consequência, o grupo que pensava diferente tinha que estar errado e deveria ser punido ou erradicado. É claro que tal tipo de impasse não está limitado somente a grupos ou nações e existe entre indivíduos em todos os níveis da sociedade. Ele nasce da necessidade tola e egoísta de tentar provar que estamos certos e concluir que qualquer um que discorde de nós tem necessariamente que estar errado, esquecendo que vários pontos de vista diferentes são possíveis.

Inúmeras situações similares se avolumaram através da longa história do mundo. O pior disto é que só raramente um dos lados está completamente certo ou inteiramente errado, visto que isto é totalmente relativo. Ninguém tem acesso à verdade plena sobre algo em um momento em particular. Cada um de nós tem sua própria pequena parte, mas tola e egoisticamente acredita que tem o todo, e quando isto parece diferir da parte de outra pessoa, estamos tão convencidos de que temos a figura inteira, que estamos igualmente certos de que o outro tem que estar errado.

A história dos três cegos que foram solicitados a descrever um elefante ilustra muito bem este ponto. Eles se aproximaram do animal e cada um esticou sua mão para tocá-lo a fim de determinar sua forma. A mão de um dos homens entrou em contato com a tromba e, pensando que havia tocado a criatura inteira, a descreveu como sendo longa e tubular como uma cobra. O outro homem tomou nas mãos uma das orelhas e descreveu o elefante como plano e maleável. O terceiro tocou a perna do elefante e declarou que o animal ela largo, roliço e firme e lembrava o tronco de uma árvore. Analisando a história, constatamos que todos estavam corretos relatando suas experiências individuais, mas falharam em perceber que cada um havia descrito somente uma parte do elefante inteiro, que era muito maior que a soma das três partes.

As crenças muito arraigadas caem nesta categoria. Existem muitos assuntos sobre os quais podemos ter conceitos muito fortes, e nem sempre verificamos se realmente acreditamos naquilo por ser verdade ou apenas por ser útil no momento presente. Muitos conceitos eram válidos em uma determinada época quando eram oportunos e úteis, mas não têm nenhuma importância agora, ainda que nos agarremos a eles como se garantissem algum tipo de segurança, como uma jangada em um mar revolto.

É necessário nos questionarmos repetidamente: "Eu realmente acredito nisso ou naquilo e isto é aplicável agora? Isto emperra meu progresso ou me libera para agir?" Se uma crença particular não é mais válida ela deveria ser abandonada. Assim como amadurecemos, muitas crenças acalentadas tornam-se obsoletas, e são um empecilho, em vez de auxílio.

Assim como ocorrem mudanças no mundo, particularmente as resultantes de todas as novas descobertas, invenções e métodos de trabalho, os velhos conceitos fora de moda que não são mais úteis, devem ser descartados para impedir nossa mente-macaco de continuar a se agarrar a eles, já que, nos livrarmos deles, nos deixaria livre do controle que exercem sobre nós..."


Texto retirado do livro "Domando a nossa mente-macaco - segundo os ensinamentos de Sai Baba", de autoria de Phillis Kristal.

Para quem não tem medo de novas idéias, visite os links seguintes e entre em contato com novas informações acerca do contexto cósmico que nos envolve. Apenas sementes para reflexão.

Projeto Orbum - Livro "O Drama Cósmico de Javé"

Projeto Orbum no youtube - Palestras de Jan Val Ellam